O segundo caso confirmado da mosca-varejeira-do-Novo-Mundo (*Cochliomyia hominivorax*) no Texas, detectado em um bezerro de um mês no Condado de Zavala em 5 de junho de 2026, acendeu o sinal vermelho para a pecuária estadunidense e canadense. O parasita, capaz de causar feridas profundas e potencialmente fatais em animais de sangue quente, foi identificado a apenas 9 quilômetros do primeiro foco, relatado no início do mês pela USDA.
Expansão geográfica preocupa autoridades sanitárias
A proximidade entre os dois casos — ambos no Texas — sugere uma disseminação acelerada do vetor, que se alimenta de tecido vivo e pode atingir gado, animais silvestres e, em situações excepcionais, humanos. O Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal (APHIS) do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou que amostras coletadas na região afetada ainda não apresentaram novos casos positivos, mas o cenário exige vigilância contínua.
Canadá fecha fronteira: impacto imediato na cadeia de produção
Em resposta ao avanço da praga, a Agência Canadense de Inspeção de Alimentos (CFIA) anunciou na sexta-feira, 6 de junho de 2026, a restrição temporária à importação de animais vivos — incluindo cavalos — provenientes do Texas ou que tenham transitado pelo estado nos últimos 21 dias. A medida, embora necessária para conter riscos sanitários, deve gerar perdas econômicas significativas para exportadores norte-americanos, especialmente no setor pecuário, avaliado em bilhões de dólares.
Risco sistêmico: além do gado, a saúde pública em xeque
Embora raros, os casos de infestação em humanos já foram registrados em outras regiões, com consequências graves. A mosca-varejeira-do-Novo-Mundo, nativa da América do Sul e Central, tem demonstrado capacidade de adaptação a climas temperados, o que amplia o leque de regiões sob ameaça. Especialistas alertam para a necessidade de protocolos rigorosos de vigilância e controle vetorial, incluindo o uso de iscas esterilizadas e monitoramento entomológico.
Enquanto as autoridades estadunidenses intensificam as inspeções nos focos, a pressão sobre o governo federal para conter a praga aumenta. Caso a disseminação não seja interrompida, o impacto pode se estender para além das fronteiras do Texas, afetando o comércio internacional de animais e subprodutos de origem animal. A situação, monitorada de perto pela Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH), reacende discussões sobre a preparação sanitária global frente a doenças emergentes.




