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A ESCASSEZ DE MÃO DE OBRA – Por Vivaldo Lopes

Jeverson
6 de julho de 2026 às 11:30
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A ESCASSEZ DE MÃO DE OBRA – Por Vivaldo Lopes
Divulgação / ClickNews

A taxa de desemprego no Brasil baixou para 5,6% no trimestre móvel encerrado em maio, segundo dados da Pnad/IBGE. O índice permanece, há vários trimestres consecutivos, no menor nível da série histórica iniciada em 2012.

A baixa desocupação confirma o mercado de trabalho aquecido, com pouca mão de obra disponível e proximidade do chamado pleno emprego. Esse quadro de oferta limitada de trabalhadores e desemprego reduzido deve persistir ao longo de 2026.

Uma combinação de fatores explica o aquecimento do mercado de trabalho, mesmo com juros elevados e crescimento econômico baixo. Entre eles estão o avanço da formalização, o aumento real do salário-mínimo, a ampliação dos programas de transferência de renda do governo federal, dos estados e dos maiores municípios, além das novas expectativas das gerações mais jovens, que buscam horários flexíveis, mais benefícios indiretos e possibilidade de trabalho remoto.

Outro fator que contribui para a queda do desemprego é o peso do setor de serviços, responsável por cerca de 70% do PIB e caracterizado pelo uso intensivo de mão de obra. O segmento também se beneficia dos estímulos governamentais ao consumo das famílias, impulsionados por maior oferta de crédito, programas de renegociação de dívidas e extinção da cobrança do imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais. Em ano eleitoral, o governo federal e os governos estaduais ampliam ações impulsionadoras da expansão da atividade econômica, reforçando o dinamismo do setor.

Nos dados da Pnad/IBGE referentes ao período de março a maio, dois aspectos chamam atenção.

O primeiro é o volume de empregos gerados no setor público. Quase 600 mil profissionais foram contratados pelos governos federal, estaduais e municipais, principalmente para escolas e unidades de saúde. Não possuem carteira assinada, mas são empregos formais. O aumento de contratações na rede de ensino é comum no início do ano letivo.

Já no setor privado, a pesquisa detectou redução nas dispensas de trabalhadores temporários contratados para o esforço de vendas do Natal, fim de ano e carnaval.

O segundo aspecto é o baixo desemprego entre profissionais com ensino superior. Enquanto a taxa geral de desocupação ficou em 5,6% no trimestre findo em maio, entre trabalhadores com formação universitária a taxa de desemprego ficou em 3,3%, confirmando que a escassez de mão de obra qualificada é maior do que nos setores que exigem menor escolaridade.

A situação é mais crítica em áreas que demandam mão de obra intensiva, como comércio, saúde, tecnologia e infraestrutura. Pesquisas recentes com empregadores indicam que oito em cada dez empresas têm dificuldade para contratar profissionais como engenheiros de dados, cientistas da computação, arquitetos de soluções tecnológicas, especialistas em inteligência artificial, analistas financeiros, engenheiros de petróleo, engenheiros civis, eletricistas, administradores e engenheiros mecânicos.

O varejo também enfrenta dificuldades para preencher vagas que não exigem formação superior. Nos supermercados, por exemplo, há vagas não preenchidas de operadores de caixa, fiscais, atendentes de padaria, estoquistas e repositores. Empresas de call center e telemarketing também encontram obstáculos para completar seus quadros de atendentes.

O mercado de trabalho aquecido faz com que a mão de obra se torne mais escassa, aumenta os custos operacionais das empresas e pressiona a inflação. Esse cenário leva o Banco Central a manter os juros em nível elevado para desacelerar a atividade econômica e conduzir a inflação para a meta.

Entidades empresariais e seus líderes já tratam a questão como um problema crônico que aumenta os custos operacionais e limita o crescimento dos negócios em todos os segmentos, do varejo à indústria, serviços e infraestrutura. O avanço nas privatizações força cada vez mais as concessionárias a contratar mais profissionais especializados e trabalhadores com formação técnica de nível médio.

As empresas procuram ampliar parcerias com o Sistema S e universidades para atualizar currículos, desenvolver novas trilhas de formação e azeitar a conexão entre a formação acadêmica e o setor privado para aproximar a capacitação dos jovens das necessidades da indústria, comércio, agropecuária e infraestrutura.

Líderes empresariais e políticos entendem que o mercado de trabalho aquecido e a consequente escassez de mão de obra não é uma questão com solução simples. Exige decisões, incentivos, ações conjuntas e programas que integrem governo, empresas privadas, universidades, Sistema S e entidades voltadas à capacitação técnico-profissional do trabalhador.

* Vivaldo Lopes, economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia. É pós-graduado em MBA- Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP (vivaldo@uol.com.br)

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