A maior feira de tecnologia agrícola do país – a 31ª edição foi realizada de 27 de abril a 1º de maio de 2026, em Ribeirão Preto-SP-registrou seu primeiro recuo nas vendas desde 2015, com uma queda de 22% nos negócios em relação ao ano anterior
Segundo dados preliminares apresentados pela organização do evento, o montante de R$ 11,4 bilhões em prospecções — embora expressivo — não refletiu o otimismo esperado para o setor, que enfrenta um cenário de incertezas econômicas e escassez de políticas públicas de incentivo.
Cenário macroeconômico e falta de subsídios freiam investimentos no campo
Apesar de uma safra recorde projetada para 2026, analistas do setor destacam que a combinação de juros elevados, restrição ao crédito agrícola e ausência de programas governamentais robustos tem desestimulado novos aportes. “Estamos vivendo uma tempestade”, declarou o presidente da feira, em entrevista exclusiva, ao citar a redução na demanda por maquinário, insumos e tecnologias de precisão. A queda nos negócios, segundo ele, é um reflexo direto da falta de confiança dos produtores rurais, que adiam decisões de investimento diante da instabilidade econômica.
Tecnologia agrícola em xeque: inovação versus capacidade de pagamento
O recuo nas vendas de equipamentos de alta tecnologia — como drones, sistemas de irrigação automatizada e plataformas de gestão de safras — sinaliza um gargalo estrutural no setor. Embora a agricultura brasileira seja reconhecida globalmente por sua produtividade, a dependência de financiamentos a juros subsidiados e a volatilidade dos preços das commodities têm tornado a adoção de inovações financeiramente inviável para muitos produtores. “A tecnologia existe, mas o acesso a ela está cada vez mais restrito”, afirmou um executivo do segmento, que preferiu não ser identificado.
Perspectivas para 2026: recuperação lenta ou novo ciclo de retração?
Enquanto a organização da Agrishow mantém a expectativa de recuperação gradual a partir do segundo semestre de 2026, especialistas ouvidos pela reportagem alertam para o risco de uma nova queda nos negócios caso não haja mudanças significativas na política agrícola. A projeção de safra recorde, embora positiva, não é suficiente para compensar os efeitos da crise de confiança no setor. “Sem subsídios e com o custo de produção em alta, os produtores estão optando por adiar investimentos até que o cenário se estabilize”, avaliou um analista de mercado.
Impacto regional: quais estados lideram a queda e por quê?
Dados preliminares indicam que a redução nos negócios foi mais acentuada nas regiões Centro-Oeste e Sul, tradicionalmente dependentes de crédito rural e com maior exposição à variação cambial — fator que afeta diretamente a importação de insumos e equipamentos. No entanto, o Nordeste, embora menos impactado em termos percentuais, enfrenta desafios específicos, como a seca prolongada em algumas áreas e a falta de infraestrutura logística para escoamento da produção. A heterogeneidade do setor, portanto, exige soluções customizadas por região, segundo representantes do agronegócio.
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