Durante abertura da feira em Uberaba, lideranças criticam medida do governo federal e pedem prioridade a reformas estruturais
Lideranças do agronegócio manifestaram críticas à proposta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de extinguir a escala de trabalho 6×1, durante a abertura da Expozebu, neste sábado (25), em Uberaba. O evento, considerado o principal da pecuária nacional, reúne representantes do setor em meio ao avanço de discussões no Congresso sobre a redução da jornada semanal.
Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges defendeu cautela no debate e alertou para possíveis impactos econômicos. “Para o bom funcionamento da economia do setor produtivo do Brasil. Pedimos aos nossos parlamentares que apoiem contrariamente essa pauta tão nociva da nossa economia, com consequências graves e sem precedentes ao nosso agro”, afirmou.
Na mesma linha, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo, Tirso Meirelles, criticou a proposta e cobrou prioridade para questões estruturais do país. “[…] Arruma o transporte, dá segurança, precisa resolver primeiro a estruturação do país em vez de mexer no 6×1”, disse. Ele também mencionou a necessidade de um projeto de desenvolvimento nacional e citou exemplos internacionais de crescimento econômico.
A proposta de mudança na jornada de trabalho está em análise no Congresso. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou a tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da carga semanal de 44 para 36 horas. O governo, por sua vez, defende que o tema avance por meio de projeto de lei, com limite de 40 horas semanais e negociação direta entre trabalhadores e empregadores.
O debate ocorre em um contexto político sensível, já que a redução da jornada é vista como uma das estratégias do governo para ampliar a popularidade em ano eleitoral.
Cenário econômico favorável ao setor
A edição deste ano da Expozebu acontece em meio à valorização da arroba bovina, que acumula alta de mais de 11% em 12 meses, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada. A feira, que chega à 91ª edição, deve movimentar mais de R$ 200 milhões em negócios e atrair cerca de 400 mil visitantes até 3 de maio, com programação que inclui leilões, julgamentos de animais e rodadas internacionais.
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