Crescentes perdas estratégicas reverberam na opinião pública russa
Em julho de 2026, o apoio dos russos à guerra na Ucrânia despencou para 66%, queda de oito pontos percentuais desde maio e 12 pontos abaixo do mesmo período de 2025, conforme levantamento do Centro Levada, o principal instituto independente de pesquisas da Rússia. O declínio coincide com a intensificação de ataques ucranianos contra infraestruturas críticas russas — refinarias, depósitos de munição e bases aéreas — localizadas em regiões até então consideradas seguras, como Krasnodar, Rostov e até mesmo territórios próximos a Moscou.
Fratura na narrativa de vitória: população sente o impacto no cotidiano
A redução na aprovação não reflete apenas um ceticismo passageiro, mas uma mudança estrutural na percepção da população. O uso crescente de drones de longo alcance por Kiev, capazes de atingir alvos profundos no território russo, expôs a vulnerabilidade das defesas de Moscou e alimentou a insatisfação com os custos da campanha — tanto em vidas humanas quanto em recursos econômicos. Relatórios não oficiais, cruzados com dados de ONGs locais, indicam um aumento de 30% nas queixas por prejuízos à cadeia de abastecimento e interrupções no fornecimento de energia em áreas rurais desde março de 2026.
Paradoxo do poderio militar: por que a máquina de guerra russa perde fôlego?
Apesar da superioridade numérica e tecnológica declarada, a Rússia enfrenta um paradoxo estratégico: enquanto suas forças mantêm presença no leste ucraniano, a capacidade de proteger o território nacional diminui. Especialistas em segurança euro-asiática apontam para três fatores-chave: (1) a realocação de recursos para a Ucrânia, reduzindo investimentos em defesa interna; (2) a falta de sistemas antiaéreos modernos para conter ataques de drones; e (3) a crescente pressão sobre o orçamento militar, agravada por sanções internacionais e queda nas exportações de energia. A combinação desses elementos cria um ciclo de frustração que se reflete nas pesquisas de opinião.
Consequências além das fronteiras: o que esperar da próxima fase do conflito?
O esvaziamento do apoio doméstico pode forçar o Kremlin a reavaliar sua estratégia, seja pela busca de uma saída negociada — ainda improvável dado o discurso oficial — ou pelo aumento da repressão interna para conter o descontentamento. No front, a Ucrânia, aproveitando o momento de instabilidade tática russa, intensificou operações de reconhecimento e sabotagem, enquanto países ocidentais avaliam liberar novos pacotes de ajuda militar. A dinâmica sugere que, no curto prazo, a guerra entrará em uma fase de desgaste assimétrico, onde a resiliência das sociedades — tanto ucraniana quanto russa — será tão decisiva quanto o poderio bélico.




