A aviação executiva brasileira não apenas resiste às crises econômicas como amplia sua relevância global. Segundo Vinícius Vieira, diretor do Catarina Aviation Show — evento que reúne 55 expositores e 70 marcas em São Roque (SP) —, o setor registra expansão média de 15% ao ano no país, atraindo fabricantes internacionais pela sua capacidade estratégica e diversidade de oportunidades.
O Brasil como hub global de negócios aéreos
Vieira, em entrevista exclusiva ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, destacou que o Brasil ocupa uma posição de destaque em diversas categorias de aeronaves. “O país tem relevância não apenas no mercado interno, mas também como plataforma para operações regionais e internacionais”, afirmou. Essa vantagem competitiva é um dos motivos pelos quais lançamentos globais, como o jato Global 8500 da Bombardier — apresentado pela primeira vez fora da América do Norte ou Europa durante o evento —, encontram solo fértil no território brasileiro.
De luxo a negócios: a aviação executiva redefine seu nicho
Contrariando o senso comum, Vieira enfatizou que a aviação executiva não deve ser reduzida a um mercado de luxo. “O crescimento está diretamente ligado à eficiência operacional e à otimização de tempo para executivos e empresas”, explicou. Embora o público consumidor também inclua perfis de alta renda, o uso das aeronaves é majoritariamente voltado a viagens de negócios, mobilidade corporativa e compartilhamento de frota.
Esse perfil justifica a presença de marcas premium no Catarina Aviation Show, que este ano expandiu sua programação para além de aeronaves e helicópteros, incluindo carros de luxo, iates e experiências gastronômicas. “Quem consome aviação executiva tende a buscar outros produtos de alto padrão, criando um ecossistema integrado”, afirmou o diretor.
A estratégia por trás do sucesso: experiências e inovação
O crescimento do evento — que vai até este sábado (23) no Aeroporto Executivo Internacional São Paulo Catarina — está diretamente ligado à oferta de experiências imersivas. Visitantes têm acesso a visitas guiadas por aeronaves, test-drives com veículos de luxo, voos demonstrativos e espaços de networking.
Vieira citou a chegada do Global 8500 da Bombardier como um marco simbólico: “Ser o primeiro lançamento fora dos polos tradicionais da aviação mundial demonstra a confiança do setor no potencial brasileiro”. Além disso, a programação inclui palestras com especialistas e painéis sobre tendências, como a adoção de combustíveis sustentáveis e tecnologias de pilotagem remota.
Perspectivas para o futuro: sustentabilidade e demanda por personalização
O diretor projetou que a demanda por aviação executiva deve continuar aquecida, impulsionada pela retomada de viagens corporativas pós-pandemia e pela busca por soluções logísticas mais ágeis. “Ainda há espaço para expansão, especialmente em regiões como o Nordeste e o Centro-Oeste, onde a conectividade aérea ainda é um desafio”, avaliou.
Para os fabricantes, o Brasil representa não apenas um mercado consumidor, mas um laboratório para inovações. A presença de 70 marcas no evento reflete esse interesse, com destaque para modelos de ultra-longuíssimo alcance e aeronaves elétricas, ainda em fase de testes.




