Flávio disputa a Presidência, enquanto outros familiares concorrem ao Senado e a cargos legislativos no Distrito Federal e em três estados
Impedido de disputar eleições por estar inelegível e preso por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) procura manter sua influência sobre o eleitorado por meio das candidaturas de familiares. Neste domingo (4), três filhos, um irmão, a atual esposa, uma ex-mulher e dois cunhados integram sua estratégia para conservar o capital político associado ao bolsonarismo.
A principal aposta é o senador Flávio Bolsonaro (PL), escolhido pelo pai para concorrer à Presidência da República. Com a indicação do primogênito, o ex-presidente busca consolidá-lo como seu sucessor político. A decisão contrariou aliados que esperavam uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao Palácio do Planalto.
Michelle concorre ao Senado no Distrito Federal
Outra candidatura central para os planos da família é a de Michelle Bolsonaro (PL), que disputa uma cadeira no Senado pelo Distrito Federal. Em sua primeira participação em uma eleição como candidata, a ex-primeira-dama aparece na liderança das pesquisas de intenção de voto.
A projeção eleitoral de Michelle a coloca entre os nomes considerados capazes de assegurar a continuidade do bolsonarismo, embora sua atuação ainda desperte desconfiança em setores da própria direita.
Antes de oficializar a candidatura, ela passou semanas manifestando dúvidas sobre ingressar na vida política. Ao confirmar a decisão, afirmou que havia conversado com o marido sobre a disputa.
“Ele [Bolsonaro] quer muito [o mandato dela no Senado], é um desejo do coração dele. Eu acho que é natural, pelo nosso trabalho, pelo Brasil, a gente influenciar, incentivar as mulheres de bem a estarem na política”, declarou em junho.
A chapa de Michelle também abriu espaço para um de seus irmãos, Diego Torres (PL), indicado como primeiro suplente. Paralelamente, a ex-primeira-dama utiliza sua popularidade em Brasília para apoiar outro irmão, Eduardo Torres (PL), que tenta, pela segunda vez, conquistar um mandato de deputado distrital.
Irmão do ex-presidente busca vaga por São Paulo
Em São Paulo, Renato Bolsonaro (PL), irmão do ex-presidente, concorre à Câmara dos Deputados. Sua candidatura utiliza o número 2222, considerado um dos mais disputados por integrantes do partido.
O histórico eleitoral de Renato reúne oito candidaturas e uma vitória. Seu único mandato conquistado nas urnas foi o de vereador de Praia Grande, no litoral paulista, em 1996. Agora, ele volta a buscar um cargo eletivo com o apoio do sobrenome da família.
Carlos e Jair Renan disputam cargos em Santa Catarina
Além de Flávio, outros dois filhos do ex-presidente participam das eleições. Carlos Bolsonaro (PL) transferiu sua atuação eleitoral do Rio de Janeiro para Santa Catarina, estado em que Jair Bolsonaro mantém forte apoio.
Após exercer sete mandatos consecutivos como vereador na capital fluminense, Carlos busca uma cadeira no Senado. Sua candidatura faz parte do esforço da oposição para alterar a composição da Casa, conquistar maioria e reunir condições para aprovar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A chegada de integrantes da família à política catarinense começou com o “filho 04”, Jair Renan (PL). Ele foi eleito vereador de Balneário Camboriú em 2024 e, ainda na metade do mandato municipal, disputa uma vaga de deputado federal pelo estado.
As ausências de Jair Renan na Câmara Municipal provocaram críticas no mês passado. O vereador Marcelo Achutti (MDB) questionou as faltas e defendeu que o colega se afastasse formalmente do cargo caso estivesse dedicado à campanha.
“Agora, [se] está em campanha eleitoral, faça como os demais. Eu, quando fui candidato, me licenciei e dei lugar ao suplente”, criticou.
Em resposta, Jair Renan afirmou que precisava se ausentar “para dar uma força” ao pai. Ao justificar as faltas, declarou que as visitas ao ex-presidente comprometeriam sua presença nas sessões realizadas às quartas-feiras.
“Só queria explicar por conta da minha falta na quarta-feira. E quase toda quarta-feira eu devo faltar porque eu tenho que visitar meu pai, hoje preso político, perseguido por todas as instâncias”, justificou-se.
Eduardo e Laura ficam fora da eleição
Entre os cinco filhos de Jair Bolsonaro, apenas Eduardo e Laura não participam da disputa eleitoral. A caçula tem 15 anos. Eduardo Bolsonaro (PL), por sua vez, se autoexilou nos Estados Unidos.
O ex-deputado pretendia integrar, como suplente de senador, a chapa de André do Prado (PL) em São Paulo. O projeto, entretanto, foi abandonado, e ele não concorre nestas eleições.
Rogéria tenta chegar à Câmara pelo Rio
A estratégia eleitoral da família também inclui Rogéria Bolsonaro (PL), ex-mulher do ex-presidente e mãe dos filhos “01, 02 e 03”. Ela concorre ao cargo de deputada federal pelo Rio de Janeiro.
Inicialmente, Flávio pretendia acomodar a mãe como suplente na candidatura ao Senado de Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense.
A articulação perdeu viabilidade após Canella ser alvo de um mandado de busca e apreensão. Durante a ação, ele foi preso em flagrante por portar um fuzil calibre .556 no carro. Posteriormente, desistiu da candidatura, encerrando a possibilidade de Rogéria integrar a chapa.




