Essa conquista demonstra a excelência do setor agropecuário brasileiro
O Brasil atingiu um marco histórico nas exportações de carne bovina para os Estados Unidos, consolidando sua posição como o segundo maior fornecedor do produto ao mercado norte-americano. Em 2024, o país embarcou 149 mil toneladas do produto, gerando uma receita de US$ 962 milhões (equivalente a R$ 4,81 bilhões), segundo dados preliminares.
O cenário global que impulsionou as exportações brasileiras
O volume recorde reflete um momento único na pecuária mundial, marcado pela menor oferta global de carne bovina desde 2006. Thiago Bernardino, coordenador de pecuária do CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), explica que a combinação de baixos estoques globais e o crescimento contínuo da produção brasileira — que já é a maior do mundo — colocou o país em posição estratégica.
“Nunca estivemos tão bem posicionados no mercado internacional. A pecuária brasileira tem se destacado não só pela quantidade, mas pela qualidade e competitividade”, afirmou Bernardino em entrevista exclusiva ao Times Brasil — veículo licenciado pela CNBC.
Demanda sazonal e eventos globais: o estímulo por trás dos números
A proximidade do verão norte-americano — período de férias escolares — e a realização da Copa do Mundo 2026 nos EUA foram fatores determinantes para o aumento da demanda. Bernardino destacou que esses eventos naturalmente aquecem o consumo de carne bovina, especialmente em setores como o de fast-food e restaurantes.
“É um momento em que a economia americana já está aquecida, e eventos como a Copa do Mundo ampliam ainda mais essa pressão por proteína animal. Nos últimos meses, já observamos uma alta nos preços da carne bovina nos EUA, o que reforça a necessidade de importações”, pontuou.
EUA dependem da importação para conter inflação, mesmo com pressões protecionistas
Apesar das barreiras tarifárias e críticas de produtores locais, o governo e a indústria norte-americana não podem abrir mão da carne brasileira. Bernardino ressaltou que, do ponto de vista econômico, a importação é inevitável para evitar pressões inflacionárias.
“A pecuária nos EUA é um processo de ciclo longo. Não adianta querer aumentar a produção de hoje para amanhã. Por isso, a importação é uma válvula de escape para manter os preços estáveis e evitar um choque inflacionário”, explicou.
A saúde financeira do setor pecuário brasileiro
O coordenador do CEPEA também analisou o cenário interno da pecuária brasileira, que segue em expansão. Segundo ele, o preço do boi gordo — principal indicador do setor — tem se mantido em patamares favoráveis, garantindo rentabilidade aos produtores.
“A relação de troca ainda é positiva. O pecuarista está capitalizado, e isso é fundamental para manter a oferta estável e os investimentos no setor. Mesmo com a alta nos preços, a cadeia produtiva brasileira consegue se ajustar”, afirmou.
Perspectivas: o Brasil pode avançar ainda mais?
Com a reaproximação entre EUA e China — que recentemente suspendeu restrições a três frigoríficos brasileiros — e a crescente demanda asiática por carne brasileira, especialistas avaliam que o país pode superar a Austrália e se tornar o principal fornecedor de carne bovina para os EUA em breve.
No entanto, Bernardino alerta que barreiras sanitárias e políticas ainda representam riscos. “O Brasil precisa continuar investindo em sanidade animal e rastreabilidade para garantir acesso a novos mercados e manter a confiança dos importadores”, concluiu.




