O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, marcará presença na cúpula da Comunidade Política Europeia (EPC) em Yerevan, Armênia, nesta segunda-feira, tornando-se o primeiro líder de uma nação não europeia a participar do fórum de 48 países. A decisão reforça a estratégia de Ottawa de ampliar alianças comerciais e diplomáticas após o esfriamento das relações com os Estados Unidos durante a gestão de Donald Trump. Além disso, a presença de Carney envia um sinal de apoio ocidental à Armênia, que busca reduzir sua dependência geopolítica da Rússia em um momento de incerteza na política externa norte-americana em relação a Moscou.
A participação canadense no evento ocorre em um contexto de reconfiguração das relações transatlânticas, com discussões previstas sobre a retirada de mais de 5 mil soldados norte-americanos da Alemanha nos próximos 12 meses e os impactos econômicos de um eventual conflito prolongado entre Washington e Teerã. Embora a Armênia compartilhe fronteira com o Irã, ao contrário do Azerbaijão, não há relatos de mísseis iranianos terem atingido seu território, o que pode facilitar o diálogo sobre segurança regional durante a cúpula.
Armênia busca redefinir sua posição geopolítica
A escolha de Yerevan como sede da EPC, uma iniciativa impulsionada pelo presidente francês Emmanuel Macron e que inclui o Reino Unido, reflete o esforço armênio de aproximação com a Europa. O governo do primeiro-ministro Nikol Pashinyan tem adotado uma política de diversificação de parcerias, gradualmente reduzindo a influência russa — seu antigo aliado — e fortalecendo laços com Bruxelas. Essa estratégia será testada nas eleições parlamentares de junho, quando o partido de Pashinyan, o Contrato Civil, buscará consolidar sua base para avançar em negociações de paz com o Azerbaijão.
Os analistas destacam que a cúpula em Yerevan pode servir como um termômetro das tensões entre o Ocidente e a Rússia, especialmente após a invasão da Ucrânia. Enquanto Washington mantém uma postura ambígua em relação a aliados regionais como a Armênia, a presença canadense sinaliza um movimento de aproximação com países que buscam alternativas ao alinhamento com Moscou. Ottawa, por sua vez, tem reiterado que não almeja ingressar na União Europeia, focando em acordos bilaterais e iniciativas de cooperação econômica.
A reunião também deve abordar os desafios energéticos decorrentes de um possível agravamento do conflito no Oriente Médio, com implicações diretas para a segurança energética europeia. A Armênia, estrategicamente posicionada entre a Europa e a Ásia, emerge como um ator-chave nesse cenário, enquanto tenta equilibrar suas relações com a Rússia, o Irã e o bloco ocidental.
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