Contexto histórico e relevância do projeto
O Centro de Convenções de Macaé insere-se em um contexto de diversificação da matriz econômica municipal, historicamente dependente da indústria petrolífera. Proposto ainda na gestão 2017-2020, o projeto ganhou tração em 2021 com a alocação de verbas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e recursos próprios. Segundo dados da Secretaria Municipal de Planejamento, o empreendimento integra o Plano de Desenvolvimento Sustentável 2030, que prevê a criação de 12 equipamentos públicos até 2026.
Detalhes técnicos e execução das obras
Com 80% das etapas concluídas, o centro ocupará uma área de 8.500 m² no bairro Imbetiba, próximo ao Porto de Imbetiba. O projeto contempla um auditório principal com 1.200 lugares, dois anfiteatros com 400 assentos cada, e áreas de exposição modulares. A estrutura inclui ainda sistema de climatização central, acessibilidade plena e cobertura com painéis solares para autossuficiência energética parcial. A empresa contratada, Construtora Noroeste S.A., relatou à ClickNews que as obras seguem o cronograma com margem de 5% de antecipação.
Impacto econômico e social projetado
Estudos da Universidade Federal Fluminense (UFF) estimam que o centro poderá gerar 800 empregos diretos e indiretos na fase de operação, além de movimentar R$ 12 milhões anuais em eventos corporativos e culturais. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Antônio Carlos Silva, afirmou que o equipamento atrairá feiras nacionais como a Expomac (Exposição de Máquinas e Equipamentos para Óleo e Gás) e eventos da Petrobras, consolidando Macaé como polo de negócios. “Este não é apenas um espaço, mas um vetor de transformação”, declarou Silva.
Desafios enfrentados durante a execução
A obra enfrentou dois principais obstáculos: a pandemia de COVID-19, que paralisou as atividades por 90 dias em 2021, e a escassez de insumos importados, como vidros especiais para as fachadas. A secretária municipal de Obras, Fernanda Oliveira, explicou que foi necessário realizar licitação emergencial para aquisição de 30% dos materiais no mercado nacional, onerando o orçamento em 8%. “Tivemos que equilibrar qualidade e prazo”, afirmou Oliveira. A revisão contratual resultou em um acréscimo de R$ 4 milhões ao valor original.
Perspectivas para o segmento de eventos
O setor de eventos em Macaé movimenta atualmente R$ 180 milhões anuais, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC). Com a entrada em operação do centro, a expectativa é de crescimento de 35% até 2026, com foco em segmentos como tecnologia, saúde e turismo de negócios. O presidente da Associação Comercial de Macaé, Roberto Almeida, destacou que o novo espaço poderá abrigar feiras já existentes no Rio de Janeiro e São Paulo, reduzindo custos logísticos para os expositores.
Comparativo com outros centros de convenções do estado
Em comparação com equipamentos similares no Rio de Janeiro, como o Riocentro (inaugurado em 1977) e o Centro de Convenções SulAmérica (2015), o centro de Macaé destaca-se pela modernidade tecnológica. Enquanto os demais possuem capacidade superior a 5 mil pessoas, o projeto macaense prioriza a flexibilidade de uso, com paredes móveis que permitem divisões internas. A engenheira civil responsável pelo projeto, Laura Martins, ressaltou que “a modularidade é um diferencial competitivo para eventos de médio porte”.
Próximos passos e cronograma
A fase final inclui testes de iluminação cênica, sonorização e simulações de evacuação. A inauguração está prevista para outubro de 2024, com uma programação inicial de 15 eventos nos três meses subsequentes. A gestão municipal já iniciou negociações com a Caixa Econômica Federal para a obtenção de certidão de viabilidade de uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em empreendimentos de infraestrutura pública, visando quitar eventuais dívidas remanescentes.
Repercussão na imprensa local
O projeto tem sido alvo de reportagens em veículos como o Jornal O Diário e a Rádio Macaé FM, que destacaram seu potencial para reduzir a evasão de recursos para eventos realizados em outros municípios. A vereadora Juliana Costa (PT) elogiou a iniciativa, mas cobrou transparência na prestação de contas: “É fundamental que a população saiba onde estão sendo aplicados os R$ 54 milhões investidos”. A Controladoria Geral do Município anunciou que disponibilizará relatórios mensais atualizados em seu portal oficial.




