O senador Ciro Nogueira (PP-PI) adotou um tom neutro, mas firme, ao comentar as investigações que envolvem o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o Banco Master
Em entrevista à TV Clube, afiliada da Globo no Piauí, na quinta-feira (21), o parlamentar evitou qualquer defesa explícita ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas estabeleceu um marco claro: a aplicação da lei, sem distinção de posição política.
O discurso de isenção e a crítica aos vazamentos seletivos
Nogueira abriu a fala com uma advertência sobre os recentes vazamentos de informações em Brasília, que, segundo ele, têm sido direcionados para prejudicar setores específicos da política brasileira. “Hoje existe um vazamento seletivo em Brasília, direcionado para a direita”, declarou. A afirmação surge em um contexto de crescente tensão entre investigações judiciais e disputas eleitorais, com Flávio Bolsonaro no centro das atenções após a divulgação de um áudio pelo site Intercept Brasil.
No áudio, Flávio pede recursos a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. O pré-candidato confirmou o contato, mas alegou que os valores eram privados e não tinham relação com a instituição financeira. Na terça-feira (19/mai), Flávio também admitiu ter se reunido com Vorcaro após a prisão do empresário pela Polícia Federal, em dezembro de 2025.
Flávio Bolsonaro: investigado como qualquer outro cidadão
Ao ser questionado sobre seu posicionamento em relação a Flávio, Ciro Nogueira foi categórico: “Ele tem que ser investigado, como todos, como eu estou sendo.” A frase, proferida com tom solene, ecoa um discurso de transparência que, no entanto, não se traduz em apoio ao pré-candidato. O senador do Piauí reforçou que, caso a culpa seja comprovada, a punição deve ser exemplar. “Se for culpado, tem que pagar exemplarmente”, afirmou, ressaltando que nenhum ilícito deve ser ignorado sob a alegação de proteção política.
Nogueira ainda acrescentou: “Neste país, não pode ter mais ninguém cometendo ilícito que possa ser beneficiado por proteção. Temos que investigar com isenção e, quem for inocente, que seja inocente. E, se for culpado, que pague severamente, de acordo com a lei”. A postura, embora não seja uma defesa direta, também não representa uma ruptura com o círculo político de Flávio Bolsonaro, já que o próprio entrevistado admitiu ter uma relação de amizade com Vorcaro.
Amizade com Vorcaro não interfere nas investigações, diz Ciro
Questionado sobre seu vínculo com o empresário preso, Nogueira minimizou a influência pessoal nas apurações. “Esse empresário é um amigo, criamos esta relação, mas, pode ter toda certeza, nada que possa desabonar qualquer atuação do que fiz ao longo da minha trajetória política nos últimos anos”, declarou. A fala sugere um esforço para dissociar a esfera privada da pública, ainda que reconheça a existência de laços pessoais.
Ao final da entrevista, o senador reforçou sua confiança nos órgãos de investigação. “Qualquer homem público está sujeito a uma investigação. Nós esperamos que a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça julguem da forma mais isenta possível. […] Estou com a minha consciência tranquila”, afirmou. A declaração, no entanto, não encerra o debate sobre a credibilidade das instituições em meio a denúncias de viés político nas apurações.
O que falta no caso Master: transparência e celeridade
Embora Ciro Nogueira tenha se posicionado de forma técnica, o caso Master-Flávio Bolsonaro permanece envolto em incertezas. A prisão de Vorcaro em dezembro de 2025 por supostas irregularidades no banco — que, segundo a PF, teria desviado recursos de clientes — e a subsequente revelação do áudio com Flávio Bolsonaro alimentam especulações sobre possíveis conexões entre o pré-candidato e as operações financeiras questionáveis do Master.
Até o momento, não há indícios públicos de que Flávio Bolsonaro tenha tido participação direta em atos ilícitos do banco. Contudo, a proximidade entre ele e Vorcaro, somada ao pedido de recursos para um projeto audiovisual, levanta dúvidas sobre a natureza dos vínculos e a origem dos fundos envolvidos. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal ainda não se manifestaram sobre eventuais desdobramentos da investigação que possam esclarecer esses pontos.




