Os Correios formalizaram, na quinta-feira (3), um pedido de garantia soberana ao Tesouro Nacional para contratar um empréstimo de R$ 7 bilhões com quatro bancos privados: Banco ABC, Citibank, Deutsche Bank e JPMorgan. A operação, avaliada em 114,26% do CDI (Certificado de Depósitos Interbancários), integra o plano de reestruturação financeira da companhia e terá prazo de 15 anos. O pedido ocorre dias após a empresa divulgar prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre, resultado ligeiramente melhor que o registrado em igual período de 2025.
Custo inferior ao primeiro crédito
As condições previstas para o crédito estabelecem custo de 114,26% do CDI, índice utilizado como referência em operações de renda fixa e crédito no país. Na cotação atual mencionada na operação, o percentual corresponde a juros próximos de 16% ao ano. A taxa é inferior à praticada no primeiro empréstimo de R$ 12 bilhões, fechado em dezembro de 2025 a 115,13% do CDI.
O contrato de 15 anos prevê três anos de carência, sem cobrança de prestações nesse período. A estrutura reproduz o modelo adotado na operação anterior e permite que a companhia organize o fluxo de caixa antes do início dos pagamentos. O custo máximo admitido pelo Tesouro para essa modalidade seria de 120% do CDI, deixando a proposta 5,74 pontos percentuais abaixo do limite.
Plano reduz necessidade estimada
A necessidade de financiamento dos Correios foi inicialmente estimada em R$ 20 bilhões, mas foi reduzida para R$ 19 bilhões após melhora na posição de caixa observada no fim do ano passado. A revisão de R$ 1 bilhão reflete parte das medidas de reequilíbrio financeiro já adotadas pela administração da empresa. Mesmo com o ajuste, o volume de recursos evidencia a escala do desequilíbrio financeiro e operacional enfrentado pela estatal.
A companhia atribui a evolução do caixa à renegociação e ao parcelamento de dívidas acumuladas, sobretudo com fornecedores. Além do acesso ao crédito, está prevista uma injeção de R$ 6 bilhões em recursos públicos em 2027, conforme o plano de recuperação. Registros da negociação indicam que o sindicato de bancos foi definido ainda em julho, e representantes financeiros dos Correios já se haviam reunido com as instituições em 17 de junho para revisar condicionantes da proposta.
Aval da União e risco fiscal
A concessão da garantia soberana implica que a União responderá pelos pagamentos em caso de inadimplência dos Correios. O aval reduz o risco percebido pelos credores e tende a facilitar a obtenção de condições mais favoráveis. Em contrapartida, transforma o apoio em passivo contingente da União, cuja materialização dependerá da capacidade de pagamento da empresa ao longo do contrato.
A análise do Tesouro Nacional determinará se a garantia será concedida nas condições apresentadas. A aprovação não implica desembolso imediato, mas vincula a saúde financeira dos Correios à execução do plano de reestruturação. Para os próximos meses, a capacidade de gerar caixa, reduzir despesas e cumprir as obrigações renegociadas será decisiva para limitar a necessidade de novas intervenções do poder público.




