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Cotação do petróleo recua mais de 15% após arrefecimento de tensões entre Washington e Teerã

João
08/04/2026, 03:23
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Cotação do petróleo recua mais de 15% após arrefecimento de tensões entre Washington e Teerã
© Lusa

Barril volta a patamares inferiores a US$ 100 com trégua temporária e expectativa de desbloqueio do Estreito de Ormuz

O mercado energético global registrou um alívio expressivo nesta quarta-feira, com os preços do petróleo despencando mais de 15%. A reversão na trajetória de alta ocorre imediatamente após o presidente norte-americano, Donald Trump, suspender o ultimato militar contra o Irã, sinalizando a abertura de uma janela diplomática de duas semanas. O movimento foi acompanhado por declarações de Teerã sobre a disposição em negociar um cessar-fogo, o que trouxe uma correção imediata às cotações, que agora operam abaixo da marca simbólica de US$ 100.

Descompressão nos índices internacionais e o fator Ormuz

A desescalada refletiu-se de forma acentuada nos principais indicadores do setor. O petróleo WTI (West Texas Intermediate), referência no mercado dos EUA, apresentou queda de 15,40%, sendo cotado a US$ 95,55. Simultaneamente, o Brent, padrão de referência global, recuou 15,03%, atingindo o patamar de US$ 92,85.

A volatilidade foi contida pela confirmação, vinda do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, de que a passagem pelo Estreito de Ormuz poderá ser normalizada sob coordenação técnica.

“Aceito suspender os bombardeamentos e os ataques contra o Irã durante duas semanas”, declarou Trump em sua rede social, consolidando a pausa nas hostilidades após mediação paquistanesa.

Diplomacia em Islamabad e redução do prêmio de risco

Com as negociações presenciais agendadas para a próxima sexta-feira em Islamabad, no Paquistão, investidores começaram a retirar o “prêmio de risco” que sustentava os preços elevados. Desde o início das hostilidades em fevereiro, a commodity havia acumulado uma valorização de aproximadamente 70%.

Analistas financeiros destacam que a substituição de uma ofensiva iminente por um cessar-fogo condicional permitiu que o mercado retomasse uma dinâmica de oferta e demanda menos influenciada pelo temor de um bloqueio logístico total.

“Se os ataques contra o Irã cessarem, as nossas poderosas forças armadas cessarão as suas operações defensivas”, afirmou Araghchi, destacando que a segurança no tráfego marítimo dependerá da manutenção da trégua.

Ceticismo do mercado e vigilância operacional

Apesar do otimismo momentâneo, especialistas alertam que a estabilidade dos preços a médio prazo ainda é frágil. A liquidação de posições observada nas últimas horas é vista por parte do mercado como uma reação cautelosa, que só se transformará em uma tendência sustentável quando a circulação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz for efetivamente restabelecida e verificada.

Enquanto as declarações diplomáticas não se traduzirem em operações logísticas concretas no Golfo Pérsico, a volatilidade poderá retornar ao setor, especialmente se houver qualquer ruptura nos termos do cessar-fogo durante a cúpula no Paquistão.


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