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Crise global de motores paralisa 12% da frota de Latam, Azul e Gol; prejuízos superam US$ 11 bilhões

Redação
3 de julho de 2026 às 10:04
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Crise global de motores paralisa 12% da frota de Latam, Azul e Gol; prejuízos superam US$ 11 bilhões

Foto: reprodução Aeroin

A paralisação da frota devido aos gargalos em motores de nova geração está impactando negativamente os custos e atrasando a recuperação do setor aéreo

 

A crise que paralisa o setor aéreo global desde meados de 2025 atingiu, em 3 de julho de 2026, um patamar crítico para as principais companhias brasileiras. Segundo dados consolidados pelo site Planespotters, a Latam mantém 14 de seus 174 jatos fora de operação — um índice de 8% de sua frota. A Gol, por sua vez, tem 10 de seus 146 aviões imobilizados (6,8%), enquanto a Azul registra o impacto mais severo: 37 aeronaves paradas entre seus 170 jatos (21,8%). No agregado, as três empresas somam 60 aeronaves inativas, equivalente a 12% de sua capacidade operacional conjunta.

Motores Leap e GTF: a raiz da crise global que atinge o Brasil

Os problemas concentram-se em duas plataformas tecnológicas lançadas há menos de uma década: os motores CFM International Leap, instalados em modelos como o Airbus A320neo e Boeing 737 MAX, e os Pratt & Whitney GTF (Geared Turbofan), presentes em aeronaves da família Airbus A220 e Embraer E-Jet E2. Ambas as tecnologias, projetadas para reduzir consumo de combustível e emissões, apresentaram falhas recorrentes em seus componentes críticos — sobretudo pás de turbinas e sistemas de resfriamento.

Prejuízos bilionários e custos ocultos da paralisação

De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), os danos financeiros globais já ultrapassam US$ 11 bilhões desde 2025. A conta inclui não apenas os custos diretos de manutenção e reparo — estimados em até 30% acima dos valores previstos para motores convencionais — mas também despesas indiretas relacionadas à manutenção de frotas antigas. Aeronaves como os Boeing 737-800 e Airbus A320ceo, mais consumidoras de querosene, foram reativadas para suprir a lacuna, elevando os gastos com combustível em até 18% por voo.

A situação no Brasil reflete um cenário global onde, segundo relatório da Iata, 4% da frota comercial mundial permanece imobilizada por questões técnicas relacionadas a esses motores. Nos Estados Unidos, a Delta Air Lines registrou, na última quarta-feira (1º de julho de 2026), o retorno de um voo de Guarulhos após um incêndio em um motor Leap durante a decolagem, episódio que reforça a urgência do problema. A Federal Aviation Administration (FAA) já emitiu 12 alertas de segurança sobre os modelos desde janeiro de 2025, sem que soluções definitivas tenham sido implementadas.

Consequências operacionais e estratégias das empresas

A Azul, que tem a maior proporção de aeronaves afetadas (22% de sua frota), anunciou na última terça-feira (2 de julho de 2026) um plano de contingência envolvendo a realocação de tripulações e a redução de 15% nos voos domésticos até outubro de 2026. A Latam, por sua vez, informou que priorizará rotas internacionais de alta demanda, como São Paulo-Miami e Rio de Janeiro-Lisboa, enquanto a Gol mantém negociações com fabricantes para antecipar entregas de aeronaves substitutas — um processo que, no entanto, pode levar até 18 meses devido à fila de produção.

Os especialistas ouvidos pela ClickNews destacam que a crise evidencia um problema estrutural: a pressa na implementação de tecnologias ainda não plenamente testadas. “A indústria priorizou a eficiência operacional em detrimento da robustez mecânica”, avalia o engenheiro aeronáutico Carlos Alberto Silva, da Universidade de São Paulo (USP). “Motores como o GTF foram projetados para operar em condições ideais, mas a realidade das pistas brasileiras — com altas temperaturas e pistas curtas — expôs suas limitações.”

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