Microbiota seminal como fator prognóstico em reprodução assistida
A disbiose no sêmen — caracterizada pela redução de bactérias benéficas e proliferação de microrganismos pró-inflamatórios — emergiu como um marcador de risco reprodutivo em pesquisa conduzida entre 2018 e 2023 com 353 mulheres e 191 parceiros heterossexuais em hospitais universitários de São Paulo. Os resultados, publicados na edição de 4 de agosto de 2026 da *The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health*, revelam que casais com disbiose seminal apresentaram taxa 34% superior de interrupção gestacional precoce nos procedimentos de fertilização in vitro, independentemente de fatores como idade ou reserva ovariana.
Intestino feminino e fertilidade: impacto no tempo até a gravidez
Diferentemente dos achados no sêmen, o estudo não identificou relação entre disbiose intestinal materna e perdas gestacionais. Contudo, mulheres com microbiota intestinal alterada — marcada por menor diversidade microbiana e predomínio de bactérias associadas a processos inflamatórios — apresentaram, em média, 28% mais tempo para alcançar a concepção natural quando comparadas ao grupo controle. A ausência de sintomas clínicos, conforme destacado pelos pesquisadores, sublinha a necessidade de rastreamento laboratorial específico, já que a condição não é detectável em exames rotineiros.
Implicações clínicas e direção para novas pesquisas
Os autores do estudo, coordenados pelo Dr. André Zhuravlev, defendem que futuras investigações devem priorizar a análise conjunta dos casais — e não apenas das mulheres — como unidade reprodutiva. A abordagem integrada, argumentam, poderia elucidar mecanismos ainda desconhecidos de interação entre microbiomas masculinos e femininos durante a gestação. Especialistas não envolvidos no trabalho destacam que, embora preliminares, os achados abrem caminho para terapias personalizadas, como probióticos ou transplantes fecais, ainda que sua eficácia necessite validação em ensaios clínicos controlados.




