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Dirigentes cogitam paralisar Brasileirão em protesto contra fim das bets

João
30 de setembro de 2026 às 14:12
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Dirigentes cogitam paralisar Brasileirão em protesto contra fim das bets

Foto: Imagem ilustrativa

Clubes pressionam governo por transição mais longa

MP prevê fim das apostas de quota fixa no país

Clubes do futebol brasileiro intensificaram a pressão contra a medida provisória que determinou o encerramento das casas de apostas de quota fixa no país. Entre as alternativas discutidas por dirigentes está até mesmo uma eventual paralisação do Campeonato Brasileiro, como forma de pressionar o governo federal por mudanças nas regras de transição estabelecidas.

A possibilidade ganhou força nos últimos dias diante do impacto financeiro provocado pela decisão sobre contratos de patrocínio já firmados entre clubes e empresas do setor de apostas.

Prazo para encerramento é considerado curto

A Medida Provisória publicada na sexta-feira (25) determina o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade das bets no Brasil. As empresas têm até 5 de outubro para encerrar determinadas operações e retirar publicidade veiculada, enquanto sites e aplicativos deverão sair do ar a partir do dia seguinte. No futebol, entretanto, dirigentes argumentam que o prazo estabelecido é insuficiente para reorganizar contratos e encontrar novos patrocinadores dispostos a substituir as bets.

Dirigentes defendem transição de seis meses a um ano

Uma das principais reivindicações apresentadas pelos clubes é a criação de um período de transição de pelo menos seis meses. Entre os dirigentes, há ainda quem defenda prazo de até um ano para que os contratos comerciais sejam encerrados de forma gradual, sem impacto abrupto nas finanças das equipes.

A preocupação ganha relevância porque as casas de apostas se tornaram uma das principais fontes de patrocínio do futebol brasileiro nos últimos anos. Dos 20 clubes que disputam a Série A, 14 tinham uma bet como patrocinadora máster de suas camisas no momento em que a medida foi anunciada. Estimativas do mercado apontam que empresas do setor destinaram aproximadamente R$ 1 bilhão em patrocínios aos clubes da primeira divisão somente em 2025.

Paralisação ainda depende de articulação entre clubes

A discussão sobre uma possível interrupção do Campeonato Brasileiro surgiu nesse contexto de pressão. A paralisação, no entanto, ainda não foi formalmente aprovada pelos clubes e dependeria de articulação mais ampla entre as equipes e as entidades responsáveis pela organização das competições nacionais. Os dirigentes também reivindicam maior participação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nas negociações em curso com o governo.

Setor de apostas também recorre ao Supremo

A reação dos clubes ocorre simultaneamente no campo jurídico. Entidades ligadas ao setor de apostas ingressaram com ações no Supremo Tribunal Federal contra a medida provisória. Entre os argumentos apresentados estão a ausência de período adequado de transição e o impacto da medida sobre autorizações concedidas anteriormente pelo próprio poder público.

Uma das ações pede a suspensão da medida até sua análise pelo Congresso Nacional ou até o julgamento definitivo pelo Supremo. Há também pedidos alternativos para estabelecer prazo mínimo de seis meses de adaptação às novas regras impostas pelo governo.

Sinafut e Flamengo entram na disputa judicial

O Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut), que representa clubes e federações do país, também entrou na mobilização jurídica relacionada ao tema, buscando ampliar o período disponível para adequação das equipes às novas regras.

O Flamengo, por sua vez, solicitou ao STF participar como amicus curiae nas ações que discutem a proibição das bets. O clube carioca argumenta que a mudança tem impacto direto sobre suas receitas financeiras e também sobre outras modalidades esportivas mantidas com recursos provenientes desses contratos de patrocínio.

Encontro com governo foi adiado para após eleições

Representantes dos clubes e federações haviam sido convidados para reunião com integrantes do governo federal em Brasília, com o objetivo de discutir as consequências da medida sobre o futebol nacional. Entre os temas previstos para a pauta estava uma possível linha de crédito destinada às equipes afetadas pela perda dos contratos com empresas de apostas. O encontro, no entanto, foi adiado e deverá ocorrer somente após o primeiro turno das eleições deste ano.

Enquanto as negociações não avançam, dirigentes tentam construir uma posição conjunta para reduzir o impacto imediato da proibição sobre as finanças dos clubes. A discussão sobre uma eventual paralisação do Campeonato Brasileiro amplia a pressão sobre o governo, mas, até o momento, não existe decisão oficial de interromper a competição nacional.

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