Presidente dos EUA afirma que detalhes finais do acordo estão em discussão e serão divulgados em breve
Em um movimento que surpreendeu analistas e reconfigurou o tabuleiro geopolítico do Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado que um acordo de paz entre Washington e Teerã está a um passo de ser formalizado. Segundo o mandatário, o documento, batizado de ‘Memorando de Entendimento’, foi amplamente negociado com a participação de líderes regionais e tem como um de seus pilares a reabertura imediata do Estreito de Ormuz — rota crítica para 20% do petróleo global.
O vai e vem que encaminhou a trégua
As últimas 48 horas foram marcadas por uma dança diplomática sem precedentes. Trump alternou entre ameaças de retaliação militar contra o Irã — que incluiu a promessa de ‘fazer explodir tudo’ em resposta a ataques a navios petroleiros — e sinais de abertura para negociações. No entanto, foi o anúncio de um acordo em andamento que dissipou, ao menos temporariamente, o espectro de um conflito armado na região.
A escalada começou na sexta-feira, quando Teerã retaliou sanções americanas com a apreensão de um petroleiro britânico no Golfo de Omã. A tensão escalou rapidamente, com o Pentágono enviando um porta-aviões para o Golfo Pérsico e o Irã testando mísseis balísticos. Contudo, a pressão internacional — especialmente da União Europeia e do Conselho de Segurança da ONU — parece ter forçado as partes a recuarem da beira do abismo.
Quem assinou o acordo e o que muda?
Segundo o comunicado de Trump, o ‘Memorando de Entendimento’ foi discutido com líderes de oito nações árabes e muçulmanas: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia e Bahrein. Além deles, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, foi contactado separadamente, em uma ligação descrita pelo presidente americano como ‘muito produtiva’.
Os termos específicos do acordo ainda não foram revelados, mas Trump mencionou que o Estreito de Ormuz — por onde passam cerca de 17 milhões de barris de petróleo diariamente — será reaberto. A medida, caso se concretize, pode aliviar a pressão sobre os mercados globais, que já enfrentam volatilidade devido às tensões no Golfo. Além disso, o documento deve incluir cláusulas para cessar hostilidades indiretas, como os ataques a navios e a interferência em conflitos proxy no Iêmen e na Síria.
Reações e incertezas no horizonte
Apesar do otimismo de Trump, analistas alertam para os riscos remanescentes. O Irã, governado por uma ala mais linha-dura desde a morte de Qasem Soleimani, pode enfrentar resistência interna para ratificar o acordo. Além disso, grupos aliados a Teerã, como o Hezbollah no Líbano e os Houthis no Iêmen, não foram consultados e podem sabotar o processo.
No cenário doméstico americano, a notícia divide opiniões. Enquanto a ala republicana comemora o que classificam como ‘vitória da diplomacia’, críticos democratas questionam a transparência do acordo e exigem que o Congresso seja notificado antes de qualquer anúncio oficial. A senadora Elizabeth Warren, pré-candidata à presidência, declarou que ‘Trump está negociando acordos secretos que podem comprometer a segurança nacional’.
Próximos passos: o que esperar?
Os ‘detalhes finais’ do acordo devem ser anunciados nos próximos dias, segundo Trump. No entanto, especialistas em segurança internacional destacam que a implementação prática do documento dependerá de três fatores:
- Endosso do Congresso americano: Sem aprovação legislativa, o acordo pode ser contestado judicialmente.
- Compromisso iraniano: Teerã precisa garantir que suas forças — como a Guarda Revolucionária — cumprirão as cláusulas.
- Mediação regional: Países como a Arábia Saudita e Israel devem reduzir suas ações hostis contra o Irã para sustentar a trégua.
Caso o acordo se concretize, será o primeiro passo concreto rumo a uma desescalada da crise no Golfo Pérsico desde o assassinato do general iraniano Qasem Soleimani, em janeiro de 2020. Para o mercado global, a reabertura do Estreito de Ormuz poderia significar uma queda imediata nos preços do petróleo, que já subiram 15% desde o início das tensões.




