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Feminicídios no Brasil atingem maior patamar histórico no primeiro trimestre de 2026

Redação
5 de maio de 2026 às 05:30
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Feminicídios no Brasil atingem maior patamar histórico no primeiro trimestre de 2026
Divulgação / ClickNews

O Brasil registrou, no primeiro trimestre de 2026, o maior número de feminicídios desde o início da série histórica do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), em 2015. Segundo dados oficiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), foram contabilizadas 399 vítimas entre janeiro e março, o que representa um aumento de 7,55% em comparação ao mesmo período de 2025. O volume supera em 219% os registros de 2015, quando foram registrados 125 casos, consolidando uma tendência de crescimento acelerado nos últimos anos.

A média diária de mortes no período analisado atingiu quatro vítimas, patamar equivalente ao observado ao longo de todo o ano de 2025, quando o país registrou 1.470 feminicídios — o maior número já documentado desde o início da série histórica. A escalada dos casos reflete a persistência de violência estrutural contra mulheres, majoritariamente no âmbito doméstico, familiar ou por motivação misógina.

São Paulo lidera ranking nacional, enquanto dois estados não registram casos

O estado de São Paulo concentrou o maior número de ocorrências no primeiro trimestre de 2026, com 86 registros — o maior volume desde 2018, quando a série histórica foi iniciada. O crescimento em relação ao mesmo período de 2025, quando houve 61 casos, atingiu 41%, sinalizando uma aceleração preocupante no cenário estadual. Minas Gerais (42 casos), Paraná (33), Bahia (25) e Rio Grande do Sul (24) completam o ranking dos cinco estados com maior incidência.

Em contrapartida, dois estados não registraram nenhum caso de feminicídio no período: Acre e Roraima. A ausência de ocorrências, contudo, não permite inferir uma redução generalizada da violência de gênero, uma vez que fatores como subnotificação ou dinâmicas regionais podem influenciar os dados.

Políticas públicas e desafios institucionais na prevenção da violência de gênero

Especialistas e autoridades governamentais destacam a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas à prevenção e repressão da violência contra a mulher, incluindo a ampliação de mecanismos de proteção, como medidas protetivas e delegacias especializadas. A escalada dos feminicídios, mesmo após a implementação de legislações como a Lei Maria da Penha, evidencia lacunas na aplicação efetiva das normas e na atuação dos órgãos de segurança.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública, em nota oficial, afirmou que está em curso um plano nacional de enfrentamento à violência de gênero, com foco em capacitação de agentes públicos, integração de sistemas de monitoramento e campanhas de conscientização. No entanto, a eficácia dessas medidas ainda não se refletiu nos indicadores recentes, que continuam a registrar patamares alarmantes.

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