A frente fria que avança sobre o Centro-Sul do Brasil neste fim de semana
Não é uma mera perturbação meteorológica: trata-se de um sistema complexo, alimentado por áreas de baixa pressão, transporte de umidade da Amazônia e cavados atmosféricos, segundo análise da Climatempo. A combinação desses fatores está gerando condições propícias para eventos extremos em ao menos sete estados, com impactos que vão desde alagamentos até danos por ventos fortes.
Onda de instabilidade atinge São Paulo com volumes críticos de precipitação
Em São Paulo, a chuva ganha força a partir de sábado (16), com destaque para o interior, litoral sul e sudoeste do estado. Na capital, a previsão é de sol entre nuvens no sábado, mas a situação se agrava no domingo: a chuva moderada a forte deve persistir durante todo o dia, com temperaturas caindo para 23°C — uma queda de 2°C em relação ao sábado. Alertas de nível amarelo foram emitidos para 54 municípios paulistas, incluindo a Grande São Paulo, devido ao risco de acumulados superiores a 50 mm em 24 horas.
Paraná e Santa Catarina sob risco de temporais e volumes recordes
No Paraná, a instabilidade cobre praticamente todo o estado durante o fim de semana. O interior e o oeste, em especial, enfrentam temporais isolados com potencial para granizo e rajadas de vento acima de 90 km/h, segundo a Defesa Civil estadual. Santa Catarina, por sua vez, também deve registrar volumes elevados de chuva, com atenção para as regiões do Planalto Sul e Vale do Itajaí. A chegada da massa de ar frio após a frente pode agravar os fenômenos, com queda de temperatura de até 10°C em 24 horas.
Mato Grosso do Sul e litoral Nordeste: granizo e chuva persistente
Em Mato Grosso do Sul, o domingo será o dia mais crítico, com pancadas fortes acompanhadas de raios, ventos intensos e possibilidade de granizo, sobretudo nas regiões sudoeste e sul. No litoral do Nordeste, entre o Rio Grande do Norte e Alagoas, a chuva já é frequente e deve se intensificar, com volumes moderados a fortes, especialmente em áreas costeiras.
Campos do Jordão: geada histórica precede queda acentuada nas temperaturas
A cidade serrana de Campos do Jordão, conhecida por seus invernos rigorosos, registrou na terça-feira (12) a menor temperatura de 2026 no Brasil: 2,1°C, com geada generalizada que cobriu gramados, veículos e vegetação. Para este fim de semana, a previsão indica pancadas de chuva entre sábado e domingo, mas as marcas térmicas devem variar entre 14°C e 22°C — um cenário que, embora menos extremo que o registrado na semana anterior, ainda representa uma queda significativa em relação às médias históricas.
Impactos esperados: alagamentos, cortes de energia e riscos à saúde
Os efeitos da frente fria já começam a ser sentidos. Em São Paulo, a Companhia de Saneamento Básico (Sabesp) emitiu alertas para possíveis transbordamentos de córregos, enquanto a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) monitora linhas de transmissão em áreas de risco. No Paraná, a Defesa Civil já realizou simulações de evacuação em comunidades ribeirinhas, e no Rio Grande do Sul, a chegada da massa polar deve causar geadas em regiões como a Campanha e a Serra Gaúcha. Profissionais da saúde alertam para o aumento de casos de doenças respiratórias, especialmente em crianças e idosos, devido à queda brusca de temperatura.
Os meteorologistas da Climatempo reforçam que a população deve manter-se informada por meio de canais oficiais e evitar deslocamentos desnecessários em áreas de risco. A previsão indica que as instabilidades devem persistir até segunda-feira (18), quando a frente fria começará a se dissipar, mas os efeitos do ar polar devem se estender por toda a próxima semana.




