Secretário Luiz Pellizer detalha plano de reestruturação da rede municipal para desafogar UPAs e ampliar acesso da população aos serviços
Prefeitura prepara pacote de investimentos para modernizar rede de atendimento
A rede municipal de saúde de Goiânia passa por um processo de reestruturação voltado à ampliação da infraestrutura, modernização dos serviços e fortalecimento da atenção primária. As medidas foram detalhadas pelo secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizer, durante entrevista concedida nesta segunda-feira (11/5) ao quadro Jackson Abrão Entrevista, do jornal O Popular.

Segundo o titular da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a atual gestão encontrou uma estrutura defasada, sem grandes ampliações nos últimos anos e com unidades antigas que já não acompanham o crescimento populacional da capital.
“A maioria, 70% das nossas unidades de urgência, foram construídas entre 1988 e 1992. A gente tem como exceção, de construções mais novas, apenas a UPA Itaipu, a UPA Noroeste e o Cais Campinas, que são de 2008. Então é uma rede que por muito tempo não acompanhou o tamanho da população e o nosso grande desafio desse ano é estrutural”, detalhou Luiz Pellizer.
Apesar das limitações estruturais, o secretário afirmou que a rede conseguiu ampliar o número de atendimentos nos últimos meses.
“Conseguimos fazer 107 mil atendimentos em emergência em abril de 2025. No mesmo período deste ano chegamos a 136 mil atendimentos”, afirmou.
Capital terá oito novas unidades de urgência e emergência
Entre as principais ações previstas pela Prefeitura de Goiânia está a construção de oito novas unidades de urgência e emergência distribuídas pelos distritos sanitários da cidade. A Região Noroeste, considerada uma das áreas mais populosas da capital, deverá receber duas dessas estruturas.
O planejamento da administração municipal também inclui a implantação de uma nova policlínica, entrega de seis Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e expansão da atenção básica com a previsão de até 35 novas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
A proposta da gestão é ampliar a capacidade de atendimento e reorganizar o fluxo de pacientes para reduzir a pressão sobre UPAs e Cais.
Telemedicina deve auxiliar triagem e reduzir sobrecarga nas urgências
Outro ponto considerado estratégico pela Secretaria Municipal de Saúde é a implantação da telemedicina. O processo licitatório para contratação do serviço deve ser realizado nos próximos 45 dias.
De acordo com Pellizer, a intenção é oferecer atendimento remoto para orientar pacientes sobre a necessidade de buscar uma unidade de urgência ou procurar atendimento na atenção primária.
Segundo o secretário, atualmente grande parte dos atendimentos realizados nas unidades de urgência envolve casos de baixa complexidade.
“A gente tem uma atenção primária com mais de 60% de taxa de ociosidade e uma urgência sobrecarregada com casos que não são urgência”, explicou.
Dados apresentados pela SMS apontam que cerca de 78% dos atendimentos realizados nas unidades de urgência poderiam ser solucionados em unidades básicas ou por meio de teleatendimento.
A gestão municipal também estuda ampliar a oferta de exames laboratoriais na atenção primária e implantar um laboratório municipal para acelerar diagnósticos específicos.
Atendimento pediátrico foi descentralizado
Na área pediátrica, o secretário informou que o atendimento infantil de urgência deixou de ficar concentrado em poucas unidades e passou a ser ofertado em toda a rede de urgência da capital.
Segundo Pellizer, a Prefeitura mantém aberto um edital de credenciamento para contratação de pediatras, mas enfrenta dificuldades devido à baixa adesão dos profissionais.
“Nós temos um edital de credenciamento aberto para pediatras, para substituir esse atendimento infantil. Contudo, o que a gente observa é uma baixa adesão dos colegas da pediatria”.
Programa dará autonomia financeira às unidades de saúde
Entre as iniciativas voltadas à melhoria da infraestrutura está o Programa de Autonomia Financeira das Unidades de Saúde (Pafus). Inspirado em modelo já adotado na área da Educação, o projeto permitirá que unidades realizem pequenos reparos e manutenções com recursos descentralizados.
A proposta contempla 117 unidades de saúde, que passarão a receber verbas do Fundo Municipal de Saúde diretamente em contas próprias. Os recursos poderão ser utilizados para despesas como manutenção predial, compra de materiais de escritório, limpeza, higiene e conservação.
O programa prevê ainda a criação de comissões locais responsáveis pela definição das prioridades e acompanhamento dos gastos, com participação de representantes da sociedade civil e trabalhadores da saúde.
“A própria comissão local vai poder trocar lâmpada, trocar porta, pintar uma parede, reforçar uma telha, reformar mobiliário deteriorado. Isso vai trazer vitalidade e acelerar melhorias estruturais”, destacou o secretário.
Gestão aposta em reorganização para melhorar atendimento
A estratégia da Prefeitura de Goiânia é utilizar a atenção primária como porta principal de entrada do sistema de saúde, reduzindo a superlotação nas unidades de urgência e promovendo maior eficiência no atendimento.
Com a expansão da infraestrutura, implantação da telemedicina e fortalecimento da rede básica, a gestão municipal pretende ampliar o acesso da população aos serviços de saúde e melhorar a capacidade de resposta da rede pública.





