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Incêndio destrói hall sagrado de 1.200 anos com ‘chama eterna’ em ilha japonesa

Redação
21 de maio de 2026 às 09:58
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Incêndio destrói hall sagrado de 1.200 anos com ‘chama eterna’ em ilha japonesa

Um incêndio devastador consumiu o templo que abrigava a chama eterna no Japão. Reprodução/Reuters

Um incêndio de proporções históricas reduziu a cinzas o Reikado Hall, estrutura sagrada do complexo do templo budista Daishoin, na ilha de Miyajima, localizada em Hatsukaichi, província de Hiroshima

 

O incidente, registrado na manhã de quarta-feira (horário local), não apenas apagou um dos símbolos mais antigos do país — a ‘chama eterna’ que, segundo a tradição, arde ininterruptamente há quase 1.200 anos — como também reacendeu debates sobre os riscos inerentes à preservação de patrimônios culturais de valor inestimável.

A estrutura, parte integrante do complexo de templos Daishoin, foi completamente destruída pelas chamas nas primeiras horas do dia. Autoridades locais e representantes do templo confirmaram que a ‘chama eterna’ — mantida sob custódia no hall — foi transferida para um local seguro antes que o fogo se alastrasse. No entanto, suspeita-se que o próprio fogo possa ter tido origem na chama, segundo relatos do Japan Times, embora investigações preliminares ainda não tenham descartado outras causas, como falhas elétricas ou incidentes acidentais.

Um patrimônio que já resistiu ao tempo — e ao fogo

Este não é o primeiro episódio de destruição que o Reikado Hall enfrenta. Em 2005, a estrutura também foi consumida por um incêndio, obrigando os monges a resgatarem a chama sagrada antes que as chamas a extinguissem. À época, a reconstrução do hall foi concluída em 2006, com esforços coordenados pela comunidade local e pelo governo japonês, que classificou o relicário como ‘Patrimônio Cultural Importante’.

A repetição do incidente levanta questões críticas: como garantir a segurança de estruturas centenárias em um país onde a incidência de incêndios é agravada por materiais tradicionalmente usados na construção, como madeira e papel shoji? Especialistas em preservação cultural ouvidos destacam que os templos japoneses, embora projetados para resistir a terremotos, apresentam vulnerabilidades distintas quando o fogo se torna o inimigo. ‘A madeira, embora tratada, continua sendo um material inflamável. A manutenção constante é essencial, mas nem sempre suficiente’, afirmou o arquiteto e restaurador Takeshi Yamamoto.

O simbolismo da ‘chama eterna’ e seu futuro incerto

A ‘chama eterna’ do Reikado Hall não é apenas um artefato religioso; ela representa a continuidade de uma tradição que atravessou dinastias, guerras e desastres naturais. Segundo registros do templo, a chama foi acesa pela primeira vez no ano de 806, durante o período Heian, por um monge que a teria trazido da Índia como símbolo de iluminação espiritual. Desde então, ela tem sido mantida acesa como oferenda aos deuses e como lembrete da impermanência da vida — paradoxalmente, uma chama que, agora, parece ter sido tragada pelo mesmo fogo que deveria simbolizar a eternidade.

Os monges do Daishoin declararam publicamente que a chama será reacesa assim que as autoridades concluírem as investigações, embora não tenham especificado um prazo. ‘A chama não é apenas um objeto; ela é a alma deste lugar. Sua extinção, ainda que temporária, é uma perda que transcende o material’, afirmou o sumo sacerdote Kenji Sato em entrevista coletiva.

Impacto na comunidade e no turismo de Miyajima

Miyajima, conhecida mundialmente como a ‘ilha do santuário’ por abrigar o icônico torii flutuante do santuário Itsukushima — também Patrimônio da Humanidade pela UNESCO — depende fortemente do turismo religioso e cultural. A destruição do Reikado Hall, embora não afete diretamente o santuário principal, representa um golpe simbólico para uma ilha que já enfrentou desafios recentes, como a redução no fluxo de visitantes durante a pandemia e a pressão do aumento do nível do mar, que ameaça a integridade de suas estruturas históricas.

Autoridades municipais de Hatsukaichi já anunciaram a formação de um comitê de emergência para avaliar os danos e planejar a reconstrução. ‘Nosso compromisso é restaurar não apenas a estrutura, mas também a confiança dos fiéis e dos turistas’, declarou o prefeito da cidade, Hiroshi Morimoto. Especialistas, no entanto, alertam que o processo pode ser lento e oneroso, especialmente em um contexto de envelhecimento da população e escassez de mão de obra qualificada em restauração.

Lições de um passado que não se repete

O incêndio no Reikado Hall serve como um alerta para o Japão, um país que abriga mais de 160 mil templos budistas e xintoístas — muitos deles com séculos de história. Enquanto o governo nacional investe em tecnologias de prevenção de incêndios, como sistemas de detecção precoce e substituição de materiais, a realidade é que grande parte do patrimônio cultural japonês ainda depende de métodos tradicionais de manutenção, muitas vezes insuficientes diante das ameaças modernas.

Para o historiador cultural Akira Fujimoto, a tragédia é uma oportunidade para repensar as políticas de preservação. ‘O Japão precisa equilibrar a tradição com a inovação. Não se trata apenas de reconstruir, mas de garantir que futuras gerações possam testemunhar a grandiosidade de nosso passado’, afirmou. Enquanto isso, a ‘chama eterna’ permanece em um local provisório, aguardando o momento em que poderá ser reacendida — não como um ato de fé, mas como um símbolo de resiliência humana.

 

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