Criminalista deixa caso após operação da Polícia Federal que colocou senador no centro de apuração conduzida no STF; parlamentar nega irregularidades e afirma que atuação no Congresso seguiu parâmetros legais
Escritório confirma saída da defesa
O criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, deixou a defesa do senador Ciro Nogueira no inquérito que apura um suposto esquema de favorecimento político relacionado ao Banco Master. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (11) pelo escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados.
Em nota, os advogados afirmaram que a saída ocorreu “em comum acordo” com o parlamentar. O comunicado foi assinado por Kakay e outros integrantes da banca.
“O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados vem comunicar que, em comum acordo com o senador Ciro Nogueira, não seguirá atuando para o parlamentar neste caso”, diz o texto divulgado pela defesa.
Senador foi alvo de operação da Polícia Federal
A saída ocorre poucos dias após Polícia Federal deflagrar uma nova fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura a existência de uma rede de influência política supostamente articulada em favor do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O senador foi alvo de mandado de busca e apreensão autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável pela condução do caso na Corte.
Segundo a decisão judicial baseada em relatórios da Polícia Federal, os investigadores suspeitam que Ciro Nogueira teria recebido vantagens financeiras em troca de atuação política alinhada aos interesses do banqueiro no Congresso Nacional.
Investigação aponta pagamentos e benefícios de luxo
De acordo com os autos, a PF sustenta que o senador teria “instrumentalizado o exercício do mandato parlamentar” em favor de Daniel Vorcaro. A investigação aponta ainda o recebimento periódico de valores que, inicialmente, seriam de R$ 300 mil mensais.
A decisão do ministro André Mendonça registra que “há relatos de que o montante teria evoluído para R$ 500 mil”.
Os investigadores também descrevem uma série de benefícios supostamente oferecidos ao parlamentar, incluindo a cessão gratuita de um imóvel de alto padrão por tempo indeterminado, além do custeio de viagens internacionais, hospedagens e despesas pessoais.
Entre os gastos mencionados no inquérito estão estadias no hotel Park Hyatt New York, refeições em restaurantes de luxo e despesas atribuídas ao senador e à sua acompanhante durante viagens ao exterior. A apuração cita ainda a disponibilização de um cartão voltado ao pagamento de gastos pessoais.
Defesa de Ciro nega ilegalidades
Após a operação realizada pela Polícia Federal, a defesa do senador declarou que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.
Até o momento, o parlamentar não apresentou manifestação pública sobre a saída de Kakay da defesa.
Kakay reúne histórico em casos de repercussão nacional
Reconhecido como um dos criminalistas mais influentes de Brasília, Kakay atuou na defesa de diversas figuras centrais da política e do empresariado brasileiro ao longo das últimas décadas.
Entre seus clientes estiveram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro José Dirceu, o senador Renan Calheiros, o deputado Aécio Neves e o empresário Joesley Batista.
O advogado também teve participação em processos relacionados à Operação Lava Jato, consolidando protagonismo em casos de grande repercussão no cenário político nacional.




