Campanha petista promete resposta às 11h após senador ampliar exigências para divulgação de dados bancários, fiscais e telefônicos
A disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos ganhou um novo capítulo. Depois de o senador impor condições para divulgar seus dados, a campanha do presidente afirmou que aceita as exigências e anunciou que apresentará uma resposta ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) às 11h desta quinta-feira (22).
O candidato do PL declarou estar disposto a abrir seus sigilos dos últimos 20 anos, desde que o presidente amplie a divulgação de informações sobre familiares, assessores e empresas ligadas a ele.
Lula havia proposto a abertura de seus dados dos últimos oito anos e dos de familiares, condicionada à divulgação de informações equivalentes pelo adversário.
“Todas as condicionantes que ele colocou, a única resposta que o presidente tem é dizer que o presidente não se opõe a absolutamente nada do que ele estava falando”, afirmou o senador Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores da campanha de Lula.
O coordenador petista classificou as exigências de Flávio como uma tentativa de manobra e cobrou que o senador também cumpra as condições apresentadas por Lula.
Até o momento, nenhum dos candidatos teve os sigilos efetivamente abertos.
As manifestações apresentadas ao TSE dependem de novos procedimentos, e a divulgação de dados de terceiros exige autorização dos envolvidos ou decisão judicial cabível.
Exigências
A proposta de Flávio amplia a lista de pessoas e documentos que deveriam ser incluídos na divulgação.
Entre as exigências estão os sigilos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, além de informações financeiras de empresas ligadas aos filhos do presidente, ao Instituto Lula e à empresa de palestras do petista.
O senador também quer a divulgação dos gastos do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023, das agendas da primeira-dama, Janja da Silva, e de registros de viagens realizadas em aeronaves da Força Aérea Brasileira.
Outra cobrança envolve informações sobre a reunião entre Lula e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, realizada em dezembro de 2024, além de registros de visitantes do Palácio do Planalto.
Na petição, a defesa de Flávio afirmou que a proposta inicial de Lula seria uma “promessa vazia” e argumentou que a divulgação das contas pessoais do presidente não seria suficiente para esclarecer suspeitas envolvendo pessoas próximas a ele.
O candidato do PL também pediu ao TSE que intime Lula a informar se aceita as novas condições.
Impasse sobre empresa
Apesar de afirmar que aceita as exigências, a campanha de Lula questionou a exclusão da Alcazar Holdings da proposta apresentada por Flávio.
A empresa pertence ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador, e aparece em uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro. Flávio foi identificado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa.
Na manifestação enviada ao TSE, o candidato do PL afirmou que não é sócio, administrador nem beneficiário da Alcazar Holdings e, por isso, não teria como autorizar a divulgação de seus dados.
“A gente vê muita estranheza que ele tire essa empresa. Então, que a imprensa possa cobrar dele, porque ele está tirando essa empresa”, afirmou Camilo Santana.
Desafio começou no debate
A disputa pela abertura de sigilos começou no debate realizado no último domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a divulgar informações bancárias e fiscais dele e de seus familiares.
O presidente formalizou a proposta ao TSE na terça (20), incluindo pedidos de divulgação dos dados de Jair Bolsonaro, dos irmãos do senador e de empresas ligadas ao candidato do PL.
Flávio respondeu com a ampliação das exigências, incluindo pessoas e registros que não estavam na proposta inicial.
Durante um ato de campanha em Belo Horizonte, na quarta (21), Lula criticou a resposta do adversário e afirmou que apresentaria uma nova manifestação.
“Essa semana eu pedi para o Flávio abrir sigilo. Hoje ele inventou um monte de mentiras e trucou seis. Eu vou meter um nove na cara dele amanhã”, disse o presidente.




