Profissional foi presa preventivamente
Investigação apura procedimentos estéticos invasivos que teriam provocado queimaduras, necrose, perda de tecido e lesões graves em diferentes regiões do corpo
Subiu para nove o número de pacientes que denunciaram a fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva, investigada por supostamente provocar mutilações e outras lesões durante procedimentos estéticos em Goiânia. A profissional foi presa preventivamente na segunda-feira (21), em uma operação conduzida pela Polícia Civil de Goiás.
Quando a prisão foi anunciada, sete vítimas haviam sido identificadas. A divulgação do caso e da imagem da investigada tinha justamente como um dos objetivos localizar outras pessoas que eventualmente tivessem enfrentado complicações após procedimentos realizados pela profissional. A Polícia Civil chegou a orientar possíveis vítimas a procurarem a unidade responsável pelo inquérito e apresentarem exames, fotografias, documentos e outros elementos capazes de auxiliar nas investigações.
O caso é investigado pela 7ª Delegacia Distrital de Polícia de Goiânia, com apoio do Grupo Especial de Investigações Criminais (Geic) da 1ª Delegacia Regional de Polícia.
Relatos incluem necrose, queimaduras e perda de tecido
As denúncias reunidas pela Polícia Civil envolvem procedimentos realizados nas regiões íntima, facial, glútea e mamária. Entre as complicações relatadas pelas pacientes estão cortes, queimaduras, sangramentos, infecções, necrose, cicatrizes, dores intensas e perda de tecido.
Parte dos episódios investigados é considerada especialmente grave por envolver intervenções na região genital. Segundo a apuração policial, há relatos de retirada de tecido além do que teria sido autorizado pelas pacientes e de alterações na anatomia decorrentes dos procedimentos.
O delegado Alex Rodrigues afirmou, ao comentar os primeiros casos identificados, que algumas vítimas apresentavam lesões consideradas gravíssimas.
“Identificamos 7 vítimas, algumas delas tiveram lesões gravíssimas nas partes íntimas. Ela não tem autorização dos órgãos responsáveis para realizar esse tipo de procedimento, que é inclusive um procedimento cirúrgico”, afirmou.
Documentos médico-legais reunidos no inquérito também registraram, segundo as informações divulgadas sobre a investigação, lesões compatíveis com intervenções incisionais e térmicas em alguns dos casos analisados.
Polícia investiga limites da atuação profissional
Magda Oliveira da Silva é fisioterapeuta e possui formação complementar nas áreas de harmonização facial, corporal e íntima. A Polícia Civil, no entanto, investiga se alguns dos procedimentos realizados ultrapassaram os limites técnicos e legais permitidos à sua atuação profissional.
Entre as condutas sob investigação estão cortes, retirada de partes de tecidos, alterações anatômicas e eventual prescrição ou fornecimento de medicamentos.
A apuração busca estabelecer individualmente as circunstâncias de cada atendimento, os procedimentos efetivamente realizados e a extensão das lesões apresentadas pelas pacientes.
Consultórios foram alvo de buscas
Além da prisão preventiva, a Justiça autorizou três mandados de busca e apreensão: um na residência da fisioterapeuta e dois em consultórios relacionados à investigada.
Durante as diligências, foram apreendidos aparelhos celulares, medicamentos e outros materiais considerados relevantes para o inquérito. De acordo com a Polícia Civil, entre os produtos encontrados havia medicamentos com prazo de validade vencido.
A investigação também apontou falta de licença sanitária em um dos locais utilizados para os atendimentos, situação que deverá ser analisada pelos órgãos responsáveis.
Defesa afirma que inocência será demonstrada
A defesa de Magda Oliveira da Silva informou que a fisioterapeuta está à disposição da Polícia Civil e do Poder Judiciário para colaborar com as investigações e apresentar documentos e laudos técnicos.
Os advogados pediram cautela na divulgação das acusações e ressaltaram a necessidade de respeito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência. A defesa sustenta que o andamento das investigações demonstrará a regularidade da atuação profissional e afirma confiar na comprovação da inocência da fisioterapeuta.
Com o surgimento de novas denúncias, a Polícia Civil deverá ampliar a análise dos atendimentos atribuídos à investigada. O inquérito continua em andamento e outras pessoas que afirmem ter sofrido complicações podem procurar as autoridades para relatar os casos. (Com G1/Go)




