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Orientações do Corpo de Bombeiros para prevenção de explosões e acidentes com botijões de gás residencias

João
30 de outubro de 2026 às 07:17
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Orientações do Corpo de Bombeiros para prevenção de explosões e acidentes com botijões de gás residencias

Três incêndios motivados por explosões de botijõs em Minas. Reprodução/CBMMG

Ocorrências recentes em Minas Gerais reacendem alerta para validade de componentes, armazenamento correto e protocolos de vazamento

Mapeamento de ocorrências graves no território mineiro

A ocorrência de três episódios sucessivos de explosões provocadas por botijões de gás no estado de Minas Gerais, ao longo da última semana, resultou no óbito de uma mulher idosa, deixou uma profissional de cozinha com 15% da superfície corporal queimada e culminou na destruição integral de um imóvel residencial.

Os sinistros acionaram o alerta das autoridades para os perigos inerentes ao manuseio inadequado dos recipientes, bem como para a gestão de vazamentos e os vícios de conduta adotados pelos moradores diante de situações de emergência. Em face dos acontecimentos, o Corpo de Bombeiros Militar divulgou diretrizes técnicas voltadas à contenção de riscos no ambiente doméstico.

A primeira ocorrência deu-se no bairro Aparecida, situado na região noroeste de Belo Horizonte, onde uma cozinheira desempenhava o preparo de marmitas no momento em que ocorreu o escapamento de gás na área da cozinha. Durante a emergência, o acompanhante da vítima ausentou-se do cômodo com o intuito de buscar ferramentas manuais para estancar o vazamento — conduta expressamente contraindicada pelos especialistas —, tempo em que sobreveio a deflagração. O gradiente térmico atingiu níveis elevados a ponto de derreter o revestimento de PVC do teto, culminando nas queimaduras de segundo grau na trabalhadora.

No município de Contagem, localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte, uma idosa de 75 anos perdeu a vida após a dupla explosão de dois botijões com capacidade de 13 kg no interior de seu domicílio. Moradores da vizinhança relataram ter ouvido o estampido e tentaram forçar a entrada no imóvel mediante o uso de uma marreta, sem contudo obter êxito no resgate. A estrutura física da habitação foi interditada pelas autoridades em razão de danos estruturais severos.

Paralelamente, na cidade de Araxá, situada no Alto Paranaíba a 370 km da capital, um morador teve a residência pulverizada pelo impacto da detonação de um botijão em seu interior. A corporação de bombeiros compareceu ao local, conseguindo arrastar o recipiente para a área externa e extinguir o foco de incêndio. O proprietário do imóvel recebeu instruções formais quanto à obrigatoriedade de substituição periódica da válvula reguladora de pressão e da mangueira de condução a cada cinco anos.

Diretrizes técnicas de armazenamento e manutenção preventiva

O tenente Tiago Proton, oficial integrante do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, adverte que expressiva parcela das tragédias domésticas pode ser neutralizada por meio do cumprimento rigoroso de protocolos elementares de segurança. Os cuidados aplicam-se tanto aos domicílios que mantêm unidades reservas de botijão quanto aos prédios munidos de rede de gás encanado.

No tocante ao armazenamento de unidades sobressalentes, o oficial ressalta os critérios de aquisição e a escolha do local de guarda.

“É fundamental adquirir com um revendendor legalizado e verificar no recipiente se tem algum tipo de avaria. Ele pode ser armazenado, mas desde que não esteja com nenhum dano no recipiente e esteja com o lacre. Lembrar sempre de não armazenar o recipiente em um ambiente fechado, porque em um possível vazamento vai ter aquela concentração de gás que pode aumentar o risco de explosão, o ideal é que esteja em um ambiente externo porém protejido das intempéries de chuva, do calor excessivo”

Quanto à vida útil dos acessórios acoplados aos eletrodomésticos, o militar frisa a necessidade de controle dos prazos estipulados pelos fabricantes.

“Esses componentes básicos pro funcionamento do recipiente junto ao fogão tem prazo de validade que geralmente é de 5 anos, mas deve ser conferido de acordo com a especificação do fornecedor”

Tratando dos condomínios edilícios equipados com canalização central, o tenente esclarece que os riscos persistem caso a manutenção preventiva seja negligenciada pelos condôminos e gestores.

“Em apartamentos quando é um gás encanado também pode acontecer esse tipo de vazamento por isso tem que ser sempre verificadas as medidas preventivas. Pessoas que moram em apartamento e não tem as condições de fazer por si só essas medidas devem entrar em contato com o síndico pra que façam ali as adequações necessárias para aquele tipo de moradia. Não pode ser feita de uma maneira inadequada porque pode aumentar muito o risco de explosão”.

Procedimentos de identificação de vazamentos e gerenciamento de crise

A metodologia empregada pela população para constatar a presença de fendas ou fissuras exige cautela, sendo terminantemente proibido o uso de chamas abertas para o teste.

“Muitas pessoas conferem se tem vazamento acionando um isqueiro próximo e a gente não recomenda fazer isso. Se sentir qualquer cheiro que indique o vazamento, a primeira coisa é manter a calma, não pode se desesperar. A maioria dos casos vai ser resolvido simplesmente fechando aquele registro do regulador de pressão. Caso não seja possível fazer esse fechamento, e o ambiente não esteja totalmente comprometido, é sim possível fazer um procedimento simples: pegar um esponja, com detergente para produzir a espuma, e coloca na conexão da regulação de pressão. Se não tiver nenhuma bolha está tudo adequado, se tiver bolhas indica que há um vazamento que precisa ser averiguado”.

Outro ponto crítico refere-se à acionamento de componentes eletroeletrônicos em ambientes contaminados por misturas gasosas, sob elevado risco de ignição.

“É possível acontecer em alguns casos. Em um ambiente completamente tomado pelo gás, o que a gente tem que evitar é a produção da faísca, e ela pode sim ser produzida através do acionamento de um interruptor assim como se ligar qualquer equipamento elétrico, se acender um fósforo ou um isqueiro”.

Em cenários de saturação do ar atmosférico por gás liquefeito de petróleo, a evacuação imediata sob ventilação natural constitui a única conduta segura.

“Em uma ambiente totalmente tomado pelo gás, não tentar fazer reparo no recipiente e retirar as pessoas que estão no local, não ficar em hipótese alguma dentro do ambiente. E sim, proceder caso possível a abertura de portas e janelas, para dissipar o gás e naturalmente entrar uma ventilação”.

Para incidentes que fujam ao controle imediato ou apresentem perigo iminente à integridade física dos ocupantes, o tenente reforça a orientação para que o Corpo de Bombeiros seja acionado sem demora por meio do telefone de emergência 193.

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