Contexto histórico e deterioração da imagem presidencial
A desaprovação ao governo Lula no terceiro mandato atinge patamares inéditos desde a redemocratização, superando os índices registrados em crises anteriores, como o escândalo do mensalão (2005-2006) ou a Operação Lava Jato (2014-2022). Dados da Futura/Apex, publicados nesta segunda-feira (11.mai.2026), revelam um declínio acentuado em relação ao primeiro ano de mandato, quando 58% da população avaliava positivamente o governo. Especialistas em ciência política atribuem a queda a uma combinação de fatores: crise econômica persistente, inflação acima de 5% ao ano, escândalos de corrupção envolvendo aliados e a morosidade na implementação de reformas estruturais, como a reforma tributária e a desburocratização.
Perfil da avaliação: 45,7% classificam governo como ‘ruim’ ou ‘péssimo’
O levantamento detalha que 45,7% dos entrevistados consideram o governo Lula ‘ruim’ ou ‘péssimo’, enquanto apenas 37,5% o avaliam como ‘ótimo’ ou ‘bom’. Outros 15,6% classificam a gestão como ‘regular’, indicando um cenário de divisão quase igualitária entre otimistas e críticos. A metodologia da pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-03678/2026, contempla uma amostra representativa de 2.000 pessoas com 16 anos ou mais, com intervalo de confiança de 95% e margem de erro de ±2,2 pontos percentuais. O custo do estudo foi de R$ 160 mil, valor dentro da média de mercado para pesquisas de grande porte no Brasil.
Comparação com governos anteriores: Lula supera média de rejeição de FHC e Bolsonaro
Historicamente, a desaprovação média aos governos brasileiros desde 1985 gira em torno de 35%, com picos durante crises agudas, como no governo Collor (1992) ou na pandemia (2020, sob Bolsonaro). No entanto, a taxa de 51,8% verificada pela Futura/Apex posiciona Lula em um patamar superior ao de Fernando Henrique Cardoso (48% em 1999) e Jair Bolsonaro (46% em 2021), ambos atingidos por crises de credibilidade. A análise de séries temporais, cruzando dados do Datafolha e Ibope, aponta que a queda na popularidade de Lula é mais rápida do que a observada nos mandatos de Dilma Rousseff (2015) ou Michel Temer (2016-2018).
Fatores determinantes: economia, corrupção e alianças políticas
Três eixos principais emergem como causas da queda na avaliação: (1) a estagnação econômica, com crescimento do PIB projetado em 1,5% para 2026 pelo Banco Mundial, abaixo da média latino-americana; (2) a associação pública do governo a esquemas de corrupção, como o esquema de propinas na Petrobras investigado pela Operação Lava Jato 2.0, que envolve nomes próximos ao Palácio do Planalto; e (3) a fragmentação da base aliada no Congresso, com partidos como MDB e PDT rompendo com o PT em votações críticas, como a reforma da Previdência. Além disso, 62% dos entrevistados que desaprovam o governo citam a ‘falta de resultados concretos’ como principal motivo para sua insatisfação.
Regionalização da avaliação: Sul e Sudeste lideram rejeição
A pesquisa Futura/Apex mapeou diferenças regionais significativas: enquanto no Nordeste a aprovação ao governo Lula ainda é majoritária (52%), com forte apoio entre os beneficiários do Bolsa Família, nas regiões Sul e Sudeste o cenário inverte-se drasticamente. No Sul, 58% desaprovam o governo, enquanto no Sudeste o índice chega a 55%. Esses dados refletem não apenas a dinâmica política — com o PT historicamente mais forte no Norte/Nordeste — mas também a percepção de desequilíbrio em políticas públicas, como a distribuição de recursos federais e a alocação de verbas para obras estruturais. A região Norte, por sua vez, apresenta a menor taxa de desaprovação (42%), possivelmente impulsionada por programas sociais como o Bolsa Verde e investimentos em infraestrutura.
Perspectivas para 2026: eleições e possíveis desdobramentos
Com a aproximação das eleições municipais de 2026 e a iminência das discussões sobre a sucessão presidencial em 2027, a pesquisa Futura/Apex lança luz sobre os desafios do governo Lula. O PT enfrenta o risco de uma derrota simbólica nas eleições de outubro, especialmente em capitais como São Paulo e Porto Alegre, onde a rejeição supera 60%. Além disso, o levantamento sugere que a popularidade do presidente pode ser ainda mais afetada pela tramitação de projetos polêmicos, como a regulamentação do Marco Temporal das terras indígenas, que divide a base governista. Analistas políticos ouvidos pela ClickNews destacam que, caso a tendência se mantenha, Lula pode se tornar o primeiro presidente desde a redemocratização a não conseguir emplacar um sucessor natural do partido.
Metodologia transparente: confiança e limites da pesquisa
A Futura/Apex, empresa com 20 anos de atuação em pesquisas de opinião, adotou critérios rigorosos para garantir a validade dos dados. A amostra foi estratificada por gênero, idade, região e nível de escolaridade, com ponderação para refletir a distribuição demográfica do Censo IBGE 2022. O registro no TSE (BR-03678/2026) assegura transparência, permitindo que qualquer cidadão ou instituição verifique a integridade do processo. No entanto, críticos apontam que a margem de erro de ±2,2 pontos percentuais, embora dentro do padrão, não elimina a possibilidade de flutuações em cenários de alta volatilidade, como o atual.
Conclusão: entre a resiliência petista e a pressão por resultados
A despeito dos números preocupantes, o PT mantém estratégias para reverter a tendência, como a intensificação de programas sociais e a aproximação com setores do agronegócio e da indústria. Contudo, a pesquisas como a da Futura/Apex demonstram que, sem entregas concretas em áreas como segurança pública, emprego e inflação, a popularidade do governo tende a continuar em trajetória descendente. Para 2026, o desafio é duplo: evitar um colapso eleitoral nas urnas e recuperar a confiança da população em um cenário de crescente polarização e desconfiança nas instituições. A história recente do Brasil mostra que governos com taxas de desaprovação acima de 50% raramente conseguem se reeleger ou emplacar herdeiros políticos — e Lula, mesmo com sua base histórica, não está imune a esse fenômeno.




