O que muda com a nova equipe na PF?
A Polícia Federal (PF) promoveu uma reestruturação na coordenação das investigações sobre as fraudes nos descontos associativos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), assumindo o comando um novo time da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq). Na manhã desta sexta-feira (15/mai/2026), o ministro André Mendonça, relator dos inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), se reuniu com os agentes no Palácio do Planalto para alinhar os próximos passos das apurações.
A substituição do coordenador dos inquéritos reflete a intensificação das investigações, que agora incluem uma análise mais detalhada sobre possíveis irregularidades envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Antônio Carlos Camilo Antunes, o ‘Careca do INSS’. Enquanto o empresário Maurício Camisotti formalizou uma delação premiada, o ex-funcionário do INSS permanece preso sem acordo de colaboração.
A nova coordenação da PF também atua em paralelo em outros casos sob a relatoria de Mendonça, como a operação Master, que investiga desvios em contratos públicos. A estratégia sinaliza uma abordagem mais coordenada entre as forças-tarefa do Judiciário e da Polícia Federal.
A delação de Camisotti e os R$ 400 milhões prometidos
Maurício Camisotti, preso desde setembro de 2025, retomou as negociações de sua delação premiada em maio com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Em seus depoimentos, ele se comprometeu a devolver aos cofres públicos o montante de R$ 400 milhões — valor superior aos R$ 200 milhões que alega ter lucrado com o esquema. A estratégia busca garantir benefícios penais mais favoráveis, como a redução da pena e a possibilidade de prisão domiciliar.
Os investigadores já analisam os anexos apresentados por Camisotti há meses, mas o empresário permanece detido. Segundo a CPMI do INSS, ele atuava como operador financeiro, articulando cobranças indevidas de descontos associativos de aposentados e pensionistas, em parceria com associações e empresas beneficiadas pelo esquema.
O ‘Careca do INSS’ e a resistência à colaboração
Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como ‘Careca do INSS’, foi preso na mesma operação que Camisotti, mas optou por não firmar acordo de delação. Sua prisão preventiva foi mantida, e as investigações prosseguem com base em provas documentais e testemunhais. O caso ganhou relevância após denúncias de que ele teria mantido relações comerciais com Lulinha, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As apurações buscam esclarecer se houve participação direta ou indireta de Lulinha nas irregularidades, ainda que não haja indícios de que ele seja alvo formal de inquérito. A PF e o STF têm enfatizado a necessidade de rigor técnico para evitar contaminações políticas nos procedimentos.
Consequências jurídicas e o futuro das investigações
Com a entrada da PGR nas negociações da delação, o caso ganha novo fôlego. A homologação do acordo de Camisotti dependerá da validação das provas apresentadas e da colaboração efetiva com as investigações. Caso o empresário cumpra com suas obrigações, poderá obter benefícios como a extinção da punibilidade em crimes menos graves ou a substituição de penas.
Enquanto isso, a PF segue analisando os desdobramentos do esquema, que já resultou em prejuízos estimados em bilhões de reais aos cofres do INSS. A nova equipe da Cinq tem como desafio não apenas desvendar as ramificações do caso, mas também garantir que os responsáveis sejam responsabilizados dentro da legalidade.




