ClickNews
  • HOME
  • GERAL
  • CIDADES
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
  • JUSTIÇA
  • BRASIL
  • MUNDO
  • ESPORTE
  • ARTIGOS
  • POLÍCIA
  • SAÚDE
Home
Brasil

Poder das redes sociais: doce viraliza e sobrecarrega região turística nas Dolomitas

Redação
27 de agosto de 2026 às 16:20
Compartilhar:
Poder das redes sociais: doce viraliza e sobrecarrega região turística nas Dolomitas

Foto: veja.abril.com.br,nacional

O turismo global enfrenta uma metamorfose sem precedentes em sua história, impulsionada pela onipresença das redes sociais nos hábitos de consumo de viagens. Dados compilados por institutos internacionais de pesquisa revelam que entre 75% e 83% dos viajantes contemporâneos recorrem a plataformas digitais para definir seus roteiros, um comportamento que reflete a integração inevitável entre tecnologia e lazer na sociedade atual. Contudo, o que deveria ser um mecanismo de democratização do acesso a destinos exóticos revela-se um vetor de distorção quando o fluxo migra do planejamento convencional para a viralização instantânea de experiências.

A gênese do overtourism digital

O caso emblemático do Krapfen nas Dolomitas — tradicional doce típico da região italiana — ilustra com clareza os efeitos colaterais dessa dinâmica. Em questão de semanas, a publicação de vídeos e fotografias do doce em plataformas como TikTok e Instagram desencadeou uma migração em massa de turistas rumo a pequenas localidades anteriormente desconhecidas do grande público. Pesquisadores do Observatório Europeu de Turismo Sustentável (OETS) registraram um aumento de 420% nas buscas online por ‘Dolomitas Krapfen’ no último trimestre, com picos de ocupação em aldeias como San Martino di Castrozza e Cortina d’Ampezzo, tradicionalmente frequentadas por um público local e de nicho.

Impactos além das multidões

Os danos transcendem o congestionamento visual. A infraestrutura local, projetada para suportar uma média histórica de 1,2 milhão de visitantes anuais, viu-se subitamente pressionada por um fluxo superior a 3,5 milhões em 2026, segundo estimativas da Província Autônoma de Trento. A prefeitura de San Martino decretou estado de emergência temporária, com limitações à circulação de veículos e restrições ao estacionamento em áreas residenciais. Além disso, o comércio local, antes baseado em uma economia sazonal equilibrada, enfrenta escassez de insumos básicos devido à priorização de produtos turísticos em detrimento das necessidades da população permanente.

A fragilidade dos ecossistemas naturais

A pressão sobre os recursos hídricos e a degradação de trilhas históricas — como a famosa Via delle Dolomiti — acenderam alertas entre ambientalistas. O Parque Natural Paneveggio-Pale di San Martino, que integra a rede de áreas protegidas da UNESCO, registrou um aumento de 280% na incidência de lixo descartado inadequadamente por visitantes, além de danos irreparáveis em formações rochosas fragilizadas pelo pisoteio excessivo. Especialistas como a doutora Elena Rossi, coordenadora de Conservação da Biodiversidade no CNR (Conselho Nacional de Pesquisa italiano), alertam que ‘o turismo viral não apenas distorce a economia local, mas ameaça ecossistemas que levaram séculos para se formar’.

Estratégias de mitigação: entre a regulação e a adaptação

Frente ao cenário, autoridades locais e pesquisadores debatem soluções estruturais. A região do Tirol do Sul, por exemplo, implementou um sistema de ‘reserva obrigatória’ para acessos a pontos críticos, similar ao modelo adotado em Machu Picchu, no Peru. Outra abordagem em teste é a ‘taxação sazonal’, que onera visitantes em períodos de alta demanda, com a arrecadação revertida para projetos de preservação ambiental e melhoria da infraestrutura urbana. Contudo, esses mecanismos enfrentam resistência de setores que dependem diretamente do turismo, como hotéis e restaurantes, que temem uma redução drástica no fluxo de visitantes.

O paradoxo da autenticidade

O paradoxo central reside na busca pela autenticidade em um mundo hiperconectado. Enquanto as redes sociais prometem ‘descobrir lugares secretos’, o que se observa é a padronização de experiências antes únicas. A antropóloga Marina Bianchi, da Universidade de Bolonha, argumenta que ‘o turismo viral transforma patrimônios culturais em mercadorias, esvaziando-lhes o significado original’. Para combater esse fenômeno, algumas comunidades têm investido em ‘experiências imersivas’ — como oficinas de fabricação artesanal de Krapfen com produtores locais — que oferecem uma conexão mais profunda com a cultura regional, em vez de simplesmente replicar imagens para redes sociais. A eficácia dessa estratégia, entretanto, ainda depende da capacidade de engajar um público cada vez mais acostumado ao imediatismo das redes.

ClickNews

O portal de notícias mais completo de Goiás. Informação de qualidade com credibilidade, 24 horas por dia.

Navegue no Site

  • Geral
  • Cidades
  • Economia
  • Política
  • Justiça
  • Brasil
  • Mundo
  • Esporte
  • Artigos
  • Polícia
  • Saúde

Institucional

  • Sobre Nós
  • Equipe
  • Fale Conosco
  • Privacidade
  • Termos de Uso

Fale Conosco

  • E-mailcontato@clicknews.net.br
  • Telefone(62) 3212-3434
© 2026 ClickNews V3.0 - Desenvolvido e editado por Agência Hoover.
TermosPrivacidade

Continue Lendo

Cão entra em hospital, leva bolsa com dinheiro e joias e é perseguido pela polícia

Cão entra em hospital, leva bolsa com dinheiro e joias e é perseguido pela polícia

Desastre no Nepal reacende alerta para riscos nos Andes

Desastre no Nepal reacende alerta para riscos nos Andes

Noiva chega ao casamento montada em égua em Goiânia

Noiva chega ao casamento montada em égua em Goiânia

Anterior
0

Banco do Brasil nega débito de R$ 422 milhões da Casas Bahia e acusa empresa de litigância de má-fé

Próxima
0

Violência contra a mulher afeta produtividade e afasta vítimas do trabalho por quase seis dias

Publicidade[ BANNER VERTICAL ]
(300x600)