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Prisão de Alexandre Ramagem nos EUA expõe impasse migratório e judicial

Jeverson
13 de abril de 2026 às 16:00
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Prisão de Alexandre Ramagem nos EUA expõe impasse migratório e judicial
Divulgação / Imagem Automática

Detenção na Flórida ocorre por questões imigratórias, enquanto ex-deputado segue como foragido da Justiça brasileira após condenação do STF

Detenção nos Estados Unidos mobiliza autoridades brasileiras

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi detido nesta segunda-feira (13) por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), conforme informado pela Polícia Federal. A abordagem ocorreu em Orlando, no estado da Flórida, e, segundo integrantes da corporação brasileira, está relacionada a questões migratórias.

De acordo com essas fontes, a detenção não guarda vínculo direto com a condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que tornou Ramagem foragido da Justiça brasileira após sua saída do país.

Condenação no Brasil e permanência no exterior

Aliado político da família Bolsonaro, Ramagem deixou o Brasil no ano passado e passou a residir nos Estados Unidos. Ele foi condenado pelo STF à perda do mandato parlamentar e a 16 anos e um mês de prisão por participação em uma tentativa de golpe de Estado no final do governo de Jair Bolsonaro (PL).

Desde então, sua permanência em território norte-americano vinha sendo monitorada pelas autoridades brasileiras, sobretudo após sua classificação como foragido.

Versões divergentes sobre a abordagem

O blogueiro Paulo Figueiredo, aliado de Ramagem, apresentou uma versão distinta sobre o episódio. Segundo ele, o ex-deputado não teria sido formalmente preso, mas detido após uma abordagem inicial relacionada a uma infração leve de trânsito, sendo posteriormente encaminhado ao órgão de imigração.

“Essa é, neste momento, uma questão meramente imigratória. Porém, o status de Ramagem é legal: ele possui um pedido de asilo pendente, protocolado há tempos e ainda sob análise, o que lhe permite permanecer legalmente nos Estados Unidos até a decisão final do caso — que é demorada, mas tem tudo para ser deferida”, afirmou.

Até o momento, a defesa do ex-parlamentar não se pronunciou oficialmente.

Repercussão política e posicionamento de aliados

Em nota, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que acompanhará o caso “com máxima atenção” e destacou que a situação envolve garantias institucionais.

“Confiamos no bom senso das autoridades dos Estados Unidos para compreenderem o contexto em que se insere este episódio, marcado por um cenário de forte tensão política no Brasil”, declarou.

Saída do Brasil e desdobramentos judiciais

Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Ramagem teria deixado o Brasil de forma clandestina, atravessando a fronteira com a Guiana. Posteriormente, estabeleceu-se em um condomínio de alto padrão na Flórida.

Durante o período em que ainda mantinha o mandato, ele chegou a participar de sessões legislativas remotamente, amparado por atestado médico.

Em dezembro, o ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura do processo de extradição. No mesmo período, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados formalizou a cassação de seu mandato, o que permitiu o avanço das ações judiciais no STF.

Investigações e crimes relacionados aos atos de 8 de Janeiro

Parte das acusações contra Ramagem está associada aos eventos de 8 de janeiro, incluindo crimes como dano qualificado mediante violência, prejuízo ao patrimônio da União e deterioração de bens tombados.

O julgamento de alguns desses crimes chegou a ser suspenso enquanto ele ainda exercia o mandato parlamentar, sendo retomado após sua cassação.

Cancelamento de documentos e manifestações de aliados

A Câmara dos Deputados também determinou o cancelamento do passaporte diplomático de Ramagem e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que igualmente se encontra nos Estados Unidos.

Outro aliado, o blogueiro Allan dos Santos, manifestou apoio em redes sociais. “Nenhum perseguido por Moraes ficará desamparado. Rezem por Ramagem, que tudo será resolvido. As leis americanas são bem claras e tudo será conduzido dentro das leis americanas”, escreveu.

(Com Folha de S.Paulo)

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