Diálogo entre arte e ciência na obra de Lubie
Na segunda-feira, 10 de agosto de 2026, dois quadrinhos da quadrinista francesa Lou Lubie chegam ao Brasil com propostas distintas, mas unidas pelo compromisso de desmistificar temas complexos. Publicados simultaneamente, *Raízes* (Nemo) e *Cara ou Coroa* (Buzz) exploram preconceitos raciais e transtornos de humor, respectivamente, com uma pesquisa meticulosa e uma linguagem que equilibra leveza e profundidade.
Ciclotimia em forma de fábula: a raposa que ensina sobre bipolaridade
*Cara ou Coroa*, lançado quando Lubie tinha apenas 24 anos, apresenta a ciclotimia — um transtorno de humor do espectro bipolar — como uma raposa imprevisível que o alter ego da autora precisa aprender a gerenciar. A obra, aclamada por profissionais de saúde pela sua didática, nasceu de uma necessidade íntima: “Não sendo médica ou psiquiatra, senti que minha única legitimidade para falar do assunto era expor a mim mesma”, declarou a autora.
Raízes e a identidade em territórios de tensão
*Raízes*, que aborda questões raciais a partir de sua origem nas Ilhas Reunião, também reflete a vivência de Lubie em um ambiente multicultural. A narrativa, embora lúdica, não abre mão da complexidade, exigindo do leitor atenção aos detalhes que constroem o contexto histórico e social da obra. Em ambas as publicações, a autora demonstra como a arte pode ser uma ferramenta de diálogo científico e social.




