A ilha de Cuba enfrenta um dos momentos mais críticos de sua história recente com o colapso do setor turístico, uma de suas principais engrenagens econômicas.
Dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatística e Informação revelam que, entre janeiro e março deste ano, o país recebeu apenas 298.057 visitantes estrangeiros, o que representa uma retração de 48% em comparação ao mesmo período de 2025. O cenário é agravado pela drástica redução na oferta de voos e pela escassez severa de combustível, que paralisou a logística interna e internacional.
O impacto é visível nos polos turísticos tradicionais, como o centro histórico de Havana Velha, onde o movimento de bares, restaurantes e lojas de souvenires opera em níveis mínimos. A crise se aprofundou após o governo cubano admitir a incapacidade de abastecer aeronaves nos aeroportos da ilha, levando diversas companhias aéreas a suspenderem suas rotas para o país. Como consequência direta, hotéis estatais estão sendo fechados para concentrar os poucos hóspedes remanescentes em estabelecimentos específicos, visando reduzir custos operacionais.
A retração atingiu os mercados emissores mais estratégicos para a economia cubana, como o Canadá e a Rússia, que registraram quedas superiores a 50% e 37%, respectivamente. Moradores locais que dependem do aluguel de quartos e da venda de artesanato relatam que a procura desapareceu quase por completo. Para muitos trabalhadores, o declínio atual remete aos tempos sombrios do “Período Especial” dos anos 90, mas agora com o agravante de sanções internacionais remanescentes e uma infraestrutura energética debilitada.
Impacto social e o reflexo das sanções internacionais
A escassez de visitantes estrangeiros diminui a circulação de moedas fortes, dificultando a compra de alimentos e insumos básicos por parte da população. Trabalhadores informais e aposentados, que utilizavam o turismo para complementar rendas insuficientes, hoje enfrentam o desabastecimento severo nos mercados subsidiados pelo Estado. A interrupção de cruzeiros e a reversão de políticas de abertura iniciadas em anos anteriores são citadas por moradores como fatores que selaram o isolamento atual da ilha.
Diante deste panorama de incertezas, as perspectivas de recuperação para o setor de serviços cubano são vistas como lentas e dependentes de mudanças estruturais profundas. Especialistas apontam que, sem a regularização do fornecimento de combustível e a retomada da confiança das linhas aéreas, a ilha continuará a perder receitas vitais para sua sustentabilidade. Enquanto isso, a população busca alternativas de sobrevivência em meio a uma das crises mais duras das últimas décadas, mantendo o foco na resiliência familiar.
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