A queda de cabelo pode se manifestar por redução de volume, afinamento dos fios, aumento da perda diária, falhas localizadas ou alterações na textura
Embora novas tecnologias tenham ampliado o conjunto de procedimentos disponíveis em consultórios dermatológicos, os especialistas ressaltam que não existe uma solução única para todos os casos. A escolha do tratamento depende da causa da perda capilar, da extensão do quadro, do histórico clínico e da resposta individual.
Diagnóstico é etapa indispensável
Condições como eflúvio telógeno, alopecia androgenética, alopecia areata, doenças inflamatórias do couro cabeludo e deficiências nutricionais podem produzir sinais semelhantes, mas exigem abordagens diferentes. Por isso, a avaliação médica deve considerar o início dos sintomas, fatores desencadeantes, medicamentos em uso, histórico familiar, alterações hormonais e exames complementares quando necessários. A dermatoscopia pode auxiliar na análise dos fios e do couro cabeludo, contribuindo para diferenciar padrões de queda e orientar o tratamento.
O eflúvio telógeno, por exemplo, costuma estar associado a eventos como estresse intenso, infecções, cirurgias, parto, perda de peso ou mudanças metabólicas. Em muitos casos, a perda tende a diminuir após a correção do fator desencadeante. Já a alopecia androgenética é uma condição crônica, influenciada por fatores genéticos e hormonais, que provoca afinamento progressivo dos fios e geralmente requer acompanhamento prolongado.
PRP, laser e microinfusão
Entre as opções utilizadas como complemento estão o plasma rico em plaquetas, conhecido como PRP, a fotobiomodulação e o laser de baixa potência. O PRP é obtido a partir do sangue do próprio paciente e aplicado no couro cabeludo com o objetivo de estimular áreas comprometidas. Já os dispositivos de luz buscam modular processos celulares relacionados ao ciclo do fio. A microinfusão e a mesoterapia consistem na introdução de substâncias na pele, mas a composição, a indicação e a segurança devem ser definidas por profissional habilitado.
A existência de estudos sobre essas tecnologias não significa que todos os pacientes terão crescimento significativo dos fios. Os resultados variam conforme o diagnóstico, o estágio da doença e a continuidade do acompanhamento. Além disso, alguns procedimentos podem provocar dor, inflamação, irritação ou outros efeitos adversos. A combinação com tratamentos convencionais, quando indicada, precisa considerar contraindicações, interações e expectativas realistas.
Medicina regenerativa ainda exige cautela
Termos como células-tronco, exossomos e fatores de crescimento aparecem com frequência nas discussões sobre o futuro da dermatologia capilar. Apesar do potencial científico, essas abordagens ainda exigem padronização, comprovação consistente de eficácia e avaliação rigorosa de segurança. A medicina regenerativa pode ser considerada complementar em determinados contextos, mas não substitui o diagnóstico, o tratamento da causa e o monitoramento clínico.
Guilherme Triches, médico da Onne Clinic, no Rio de Janeiro, com atuação em dermatologia clínica e cirúrgica, dermatoscopia, tecnologias a laser e tratamentos capilares, destaca que a personalização é essencial. Para pacientes com queda recente, perda intensa ou falhas no couro cabeludo, a recomendação é procurar avaliação especializada antes de iniciar procedimentos. Quanto mais precoce for a identificação da causa, maiores são as chances de preservar os fios e definir uma estratégia terapêutica adequada.
(Fonte: O Globo)




