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Reencontro histórico: Trump e Xi Jinping revisitam tensões em Beijing enquanto China consolida projeção global

Redação
13 de maio de 2026 às 11:02
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Reencontro histórico: Trump e Xi Jinping revisitam tensões em Beijing enquanto China consolida projeção global

Foto: Getty Images (BBC News)

A ascensão de uma potência revisionista

 

Quando Donald Trump desembarcou em Beijing pela última vez como empresário em 2007, a China já delineava sua trajetória rumo à centralidade econômica global. No entanto, naquela ocasião, o gigante asiático ainda operava sob os preceitos da ‘ascensão pacífica’, um conceito diplomático que pregava um crescimento harmonioso sem desafiar frontalmente a ordem internacional liderada pelos EUA. Uma década depois, o cenário é radicalmente distinto: a China de Xi Jinping não apenas consolidou sua posição como segunda maior economia do mundo, mas também redefiniu as regras do jogo geopolítico, adotando uma postura cada vez mais revisionista em relação à hegemonia ocidental. Segundo analistas do Center for Strategic and International Studies (CSIS), a China atual representa ‘a ameaça mais sistêmica aos interesses americanos desde a Guerra Fria’, não apenas pelo seu poderio militar em expansão — com um orçamento de defesa que superou o de todos os outros países asiáticos combinados em 2023 — mas pela capacidade de articular alianças alternativas ao modelo ocidental, como evidenciado pela Iniciativa Cinturão e Rota.

O paradoxo da visita: entre simbolismo e realpolitik

A narrativa da visita de Trump a Beijing, marcada para novembro de 2024, transcende o mero reencontro pessoal entre dois líderes que protagonizaram uma das relações mais turbulentas da história recente. O timing não poderia ser mais simbólico: coincide com o 75º aniversário da fundação da República Popular da China, um marco que Pequim aproveitará para celebrar sua soberania e, simultaneamente, projetar força. Para Washington, contudo, o encontro representa um dilema estratégico. Enquanto o ex-presidente busca reafirmar sua imagem de ‘negociador implacável’ — uma persona central em sua campanha —, a administração Biden tem reiterado a necessidade de conter a China em setores críticos, como semicondutores e inteligência artificial. ‘Trump pode até flexionar músculos retóricos, mas a realidade é que a China já detém vantagens estruturais que os EUA não podem ignorar’, avalia a professora Mei Lin, do Instituto de Estudos Internacionais de Pequim.

Desdobramentos econômicos: da dependência à rivalidade comercial

Em 2007, os laços comerciais entre EUA e China ainda eram pautados pela complementaridade: Washington importava bens manufaturados a baixo custo, enquanto Pequim absorvia dólares em títulos do Tesouro americano para sustentar seu crescimento. Hoje, a relação é definida pela competição assimétrica. A China não apenas superou os EUA em exportações de alta tecnologia — como demonstrado pela liderança em patentes de 5G e veículos elétricos — como também impulsionou iniciativas como o ‘Made in China 2025’, que visa dominar 10 setores estratégicos até 2049. Nesse contexto, a visita de Trump ocorre em um momento em que a guerra comercial iniciada em 2018 deixou cicatrizes profundas: tarifas de US$ 360 bilhões impostas por Trump ainda vigoram em 2024, enquanto Pequim retaliou com restrições a empresas como a Apple. ‘A interdependência não desapareceu, mas foi ressignificada como uma batalha por autonomia tecnológica’, analisa o economista Daniel Ren, da Universidade de Xangai.

Geopolítica em xeque: Taiwan e a militarização do Pacífico

Nenhum tema ilustra melhor a reconfiguração das relações sino-americanas do que Taiwan. Em 2007, o status quo era mantido por meio do consenso de ‘uma China’, uma fórmula ambígua que permitia a Washington vender armas à ilha sem reconhecer sua soberania. Hoje, a situação é radicalmente diferente: a China intensificou exercícios militares ao redor de Taiwan, incluindo simulações de bloqueio naval, enquanto os EUA ampliaram sua presença no Estreito de Taiwan com operações da Marinha. Durante a visita, espera-se que Trump reafirme — ainda que de forma ambígua — o compromisso americano com a ‘defesa da paz’, enquanto Xi Jinping reiterará a posição de que ‘a reunificação é inevitável’. Segundo o Relatório de Segurança Nacional dos EUA de 2023, a China é agora a ‘maior ameaça de longo prazo’ à estabilidade regional, superando até mesmo a Rússia.

O legado de Trump e o desafio da diplomacia

A presença de Trump em Beijing não pode ser dissociada de seu legado como presidente. Durante seu mandato (2017-2021), ele não apenas deflagrou a guerra comercial como também promoveu uma política de ‘desengajamento estratégico’, reduzindo a participação americana em organizações multilaterais e fortalecendo alianças bilaterais com países como Índia e Japão. Agora, como candidato à reeleição, Trump enfrenta um paradoxo: enquanto adota um discurso de ‘tough on China’, sua base eleitoral — especialmente no setor manufatureiro — depende da manutenção de relações comerciais minimamente estáveis. ‘Trump é um negociador, não um ideólogo. Ele pode até amenizar retóricas, mas a pressão estrutural sobre a China permanecerá’, projeta o estrategista político Victor Chen, do Think China. Para Pequim, contudo, a visita representa uma oportunidade de demonstrar que, mesmo com mudanças de governo em Washington, a China segue imune a pressões externas, consolidando sua narrativa de ‘ascensão inevitável’.

Perspectivas para o futuro: multipolaridade ou nova Guerra Fria?

A visita de Trump a Beijing ocorre em um momento em que o sistema internacional enfrenta uma bifurcação histórica. De um lado, há aqueles que defendem um ‘compromisso construtivo’, baseado em áreas de cooperação como mudanças climáticas e não-proliferação nuclear. Do outro, cresce o consenso de que a rivalidade sino-americana é estrutural e irreversível, exigindo uma nova doutrina de contenção — não apenas militar, mas também tecnológica e ideológica. O historiador Niall Ferguson, em seu recente livro ‘Doom: The Politics of Catastrophe’, argumenta que ‘o século XXI será marcado pela disputa entre duas visões de mundo irreconciliáveis’. Nesse cenário, a reunião entre Trump e Xi pode ser tanto um ponto de inflexão quanto um mero episódio em uma trajetória já traçada rumo ao confronto. Uma coisa é certa: a China que Trump visitará em 2024 não é a mesma que ele conheceu em 2007. E os EUA, por sua vez, já não têm mais o privilégio de ditar as regras do jogo.

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