Termômetros da capital paulista superam tendência global de aquecimento
Dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) confirmam um descompasso entre a trajetória do clima em São Paulo e as médias globais. Enquanto o planeta registrou alta de 1,2 °C na temperatura média desde 1900, a capital paulista apresentou aumento de 2,4 °C em suas máximas diárias e 2,8 °C nas mínimas — valores que refletem não apenas as mudanças climáticas globais, mas também a intensificação de fenômenos locais, como as ilhas de calor urbanas.
Ilhas de calor transformam São Paulo em forno durante o verão
O estudo conduzido pelo professor Humberto Ribeiro da Rocha, do IAG-USP (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas), aponta que áreas densamente urbanizadas da cidade podem atingir até 60 °C durante os períodos mais quentes do ano. Esses picos térmicos, registrados tipicamente às 13h para as máximas e às 6h para as mínimas, são agravados pela substituição de superfícies naturais por concreto, asfalto e estruturas artificiais, que retêm calor.
Evento científico discute impactos e soluções para o calor extremo
A apresentação dos dados ocorreu no encontro “Eventos extremos de calor e água: Mitigando os efeitos adversos das mudanças climáticas na saúde das cidades”, promovido em 7 de maio de 2026 pela Fapesp e pela NWO (Organização Neerlandesa para Pesquisa Científica). O evento reuniu especialistas para debater estratégias de adaptação, como a ampliação de áreas verdes, a adoção de materiais refletivos em construções e a implementação de políticas públicas voltadas à redução do estresse térmico em populações vulneráveis.




