Treinamento reuniu profissionais de UPAs, CAIS e SAMU para fortalecer o Projeto Supra e ampliar a agilidade no atendimento cardiológico
Iniciativa integra telemedicina, inteligência artificial e rede assistencial para acelerar diagnóstico e tratamento em casos de infarto
A Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia promoveu, neste mês, uma atualização do Projeto Supra no Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia – Iris Rezende Machado (HMAP), com foco em reduzir o tempo de resposta aos pacientes com suspeita de infarto. A ação reuniu profissionais das unidades de urgência e emergência do município e reforçou a meta de garantir atendimento dentro do intervalo máximo de 90 minutos, considerado decisivo para bons desfechos clínicos.
O treinamento contou com 78 participantes, entre enfermeiros, técnicos de enfermagem e recepcionistas do CAIS Nova Era, das UPAs Brasicon, Flamboyant, Colina Azul e Buriti Sereno, além de integrantes do SAMU 192 de Aparecida de Goiânia. A capacitação buscou consolidar a atuação conjunta entre os serviços, etapa considerada central para a eficiência da linha de cuidado ao paciente cardiológico.
Fluxo assistencial
Durante a atividade, foram revisados protocolos assistenciais, rotinas de encaminhamento e responsabilidades de cada profissional na identificação precoce dos sinais de infarto. O objetivo foi assegurar que o paciente percorra o caminho entre a entrada na unidade de urgência, o diagnóstico e o atendimento na hemodinâmica do HMAP no menor tempo possível.
O secretário municipal de Saúde, Alessandro Magalhães, afirmou que a rapidez no atendimento é determinante em casos de infarto e destacou a importância da formação continuada das equipes. “Quando falamos de infarto, cada minuto pode salvar uma vida. Por isso, investimos na capacitação permanente das equipes e em protocolos que tornam o atendimento mais rápido e eficiente. O Projeto Supra é mais uma prioridade da gestão do prefeito Leandro Vilela para garantir que a população receba o tratamento adequado no menor tempo possível”, disse.
A coordenadora da hemodinâmica e do pronto atendimento do HMAP, Joyce Landin, explicou que o treinamento também busca uniformizar o conhecimento entre os profissionais envolvidos na cadeia de atendimento. Segundo ela, o funcionamento em rede depende de comunicação eficiente e da compreensão do papel de cada etapa. “Nosso objetivo é nivelar o conhecimento entre todos os profissionais que participam da cadeia de atendimento ao paciente com suspeita de infarto. Esse trabalho em rede depende de comunicação eficiente e do entendimento do papel de cada integrante para que o paciente chegue ao HMAP o mais rápido possível. Quando todos conhecem o fluxo e entendem a importância de cada etapa, conseguimos reduzir o tempo até a restauração do fluxo de sangue e aumentar as chances de um desfecho favorável”, destacou.
Capacitação das equipes
Entre os participantes, a técnica de enfermagem Sandra Martins dos Passos, da UPA Buriti Sereno, ressaltou a necessidade de atualização contínua dos protocolos para garantir qualidade no atendimento. “Em uma situação de urgência, estar preparado faz toda a diferença para aumentar as chances de sobrevivência do paciente. O protocolo salva vidas todos os dias”, afirmou.
A iniciativa, segundo a gestão municipal, reforça a integração entre os serviços de urgência, emergência e referência hospitalar, com foco na redução de atrasos e no aumento da eficiência no cuidado ao paciente cardíaco. A estratégia busca assegurar respostas mais rápidas desde a triagem inicial até o encaminhamento definitivo ao hospital.
Como funciona o Supra
O Projeto Supra está em operação desde agosto de 2023 e conecta unidades de pronto atendimento, telemedicina, SAMU e HMAP em uma rede integrada. A proposta é acelerar todas as fases do atendimento, da triagem inicial e do eletrocardiograma até a confirmação diagnóstica e a transferência para a hemodinâmica, onde é feita a desobstrução da artéria comprometida.
Desde o início da iniciativa, 420 pacientes já foram atendidos por meio do projeto. Assim que há suspeita de infarto, a unidade de atendimento ou o SAMU inicia o protocolo, realiza o eletrocardiograma e envia o exame por meio de uma plataforma de inteligência artificial para cardiologistas do Einstein, em São Paulo.
O laudo retorna em até 10 minutos. Se houver sinais compatíveis com infarto agudo do miocárdio, um alerta é disparado para a regulação municipal, o HMAP e o SAMU, que leva o paciente ao hospital em até 20 minutos. Com isso, a equipe médica já recebe o paciente com informações prévias que agilizam a intervenção.
Tempo e músculo
Joyce Landin avalia que a rapidez é decisiva para preservar a função cardíaca e evitar complicações. “O entupimento de uma artéria do coração compromete o funcionamento deste órgão, o que pode levar a morte das células rapidamente. Por isso, a expressão ‘tempo é músculo’ resume a urgência do atendimento: quanto menor o intervalo entre o diagnóstico e o tratamento, maiores são as chances de preservar a função cardíaca e evitar complicações como insuficiência cardíaca e outras sequelas”, disse.





