Vieses editoriais ampliam disparidades no acesso a periódicos de elite
Um estudo coordenado por Aaron Clauset, do Instituto Santa Fe, quantificou pela primeira vez a existência de vieses nas publicações das revistas Science e Science Advances entre 2015 e 2020. Os dados, publicados em 15 de julho de 2025, indicam que grupos liderados por pesquisadores dos Estados Unidos e Canadá tiveram uma vantagem significativa em relação a seus pares de outras regiões, inclusive em comparação com cientistas chineses, embora com menor margem.
Fatores não relacionados à qualidade pesam na seleção de artigos
Apesar da ausência de correlação entre os vieses identificados e a qualidade intrínseca dos estudos, a análise revelou que pesquisadores norte-americanos e canadenses emplacaram seus trabalhos com frequência até 30% maior do que grupos de outras nacionalidades. O fenômeno, embora conhecido informalmente entre cientistas brasileiros e de outras regiões periféricas, nunca havia sido mensurado em periódicos de prestígio global como o Science.
Implicações para a ciência global e a competitividade acadêmica
A concentração de publicações nessas revistas reforça desigualdades estruturais no meio científico, onde instituições de prestígio e pesquisadores do Norte Global já detêm recursos financeiros, redes de colaboração e visibilidade institucional. A falta de transparência nos critérios editoriais agrava o problema, perpetuando um ciclo que marginaliza contribuições relevantes de países em desenvolvimento e regiões emergentes.




