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Senador Ciro Nogueira é investigado por suposto esquema de corrupção com Banco Master, segundo decisão da PF

Redação
7 de maio de 2026 às 16:59
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Senador Ciro Nogueira é investigado por suposto esquema de corrupção com Banco Master, segundo decisão da PF

Foto: PODER360

A Polícia Federal (PF) concluiu que há indícios suficientes para investigar o senador Ciro Nogueira (PP-PI) por suposto envolvimento em um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, homologada na última segunda-feira (12), detalha um arranjo funcional entre as partes, caracterizado por benefícios mútuos que transcendem relações de mera amizade ou colaboração política legítima. A investigação, batizada de ‘Operação Master’, foi deflagrada após denúncias de irregularidades na atuação legislativa do parlamentar em favor do banco, incluindo a apresentação de uma emenda que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em até 300%.

A PF identificou quatro frentes principais de supostas irregularidades: atuação legislativa direcionada ao Banco Master, pagamentos mensais e benefícios pessoais ao senador, operação societária considerada irregular e uso de empresas para ocultar movimentações financeiras. Segundo o relatório, o esquema teria operado entre 2022 e 2023, período em que Vorcaro e seus aliados buscavam influenciar decisões no Congresso para ampliar os negócios do banco, que, na época, enfrentava dificuldades financeiras. Documentos obtidos pela PF indicam que a emenda ao FGC — que elevava o limite de garantia por depositante de R$ 250 mil para R$ 1 milhão — foi redigida pela assessoria jurídica do Master e entregue pessoalmente ao gabinete do senador, conforme depoimentos de testemunhas e análise de mensagens trocadas entre os envolvidos.

Em uma das conversas reproduzidas na decisão judicial, Daniel Vorcaro afirmou que a emenda ‘saiu exatamente como mandei’, enquanto integrantes do banco comemoravam internamente os possíveis impactos da medida. Em relatório interno, um executivo do Master avaliou que a mudança poderia ‘sextuplicar’ os negócios da instituição e provocar uma ‘hecatombe’ no mercado financeiro, caso não fosse aprovada. A emenda, de autoria de Ciro Nogueira, foi incorporada à PEC 65/2023, proposta pelo governo federal, e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em dezembro de 2023. O Ministério da Fazenda, na época, estimou que a ampliação do FGC poderia custar até R$ 40 bilhões ao Tesouro Nacional anualmente.

Além da intervenção legislativa, a PF aponta para um fluxo constante de pagamentos mensais ao senador, operacionalizados por meio de uma ‘parceria’ entre as empresas BRGD e CNLF. Segundo os investigadores, os repasses começaram em R$ 300 mil por mês e, posteriormente, foram elevados para R$ 500 mil. Trechos de mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e seu filho, Felipe Cançado Vorcaro, revelam a dinâmica dos pagamentos. Em uma delas, Felipe pergunta: ‘Oi, é para continuar pagando a parceria BRGD/CNLF? 300k mes?’, ao que Daniel responde afirmativamente. Em outra ocasião, Felipe questiona se os valores poderiam ser reduzidos para R$ 300 mil devido a atrasos, recebendo como resposta: ‘Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?’. A PF considera esses diálogos como prova de um acordo prévio e continuado para remunerar o parlamentar por supostas contrapartidas políticas.

A investigação também aponta para a compra de um ativo no valor de R$ 13 milhões, supostamente pago pelo Banco Master a uma empresa ligada a Ciro Nogueira. Segundo a PF, a operação societária teria sido estruturada para ocultar a origem dos recursos e beneficiar o senador, caracterizando lavagem de dinheiro. Documentos obtidos pela polícia indicam que a transação foi intermediada por terceiros e registrada em nome de empresas offshore, sem justificativa econômica aparente. A PF ainda investiga se outros parlamentares e agentes públicos estiveram envolvidos no esquema, com foco em possíveis violações à Lei de Improbidade Administrativa e ao Código Penal.

A defesa de Ciro Nogueira negou irregularidades e afirmou que os pagamentos recebidos diziam respeito a ‘consultorias legítimas’ e que a emenda ao FGC foi apresentada de forma independente. O senador, que já foi ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL), classificou as acusações como ‘invenção’ e anunciou que irá recorrer da decisão judicial. O Banco Master, por sua vez, não se pronunciou publicamente sobre as acusações, mas fontes internas da instituição afirmaram que a instituição está colaborando com as investigações. A PF, no entanto, ressalta que os elementos colhidos até agora indicam um padrão de conduta incompatível com a legislação vigente, especialmente no que tange à transparência e à probidade administrativa.

O caso reacende o debate sobre a necessidade de reformas no sistema de financiamento político e na regulação do setor financeiro. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que esquemas como este, envolvendo pagamento de parlamentares por empresas reguladas, representam um risco sistêmico para a economia e a democracia. ‘Quando instituições financeiras utilizam recursos para influenciar decisões legislativas, o mercado perde credibilidade, e a população é a maior prejudicada’, afirmou o economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Fernando Veloso. A investigação da PF ainda está em fase inicial, mas já levanta questionamentos sobre a atuação de Ciro Nogueira e outros possíveis envolvidos, com desdobramentos que podem atingir o âmbito político-partidário e a estabilidade das instituições brasileiras.

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