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STF autoriza investigação sobre repasses de R$ 61 milhões para filme sobre Bolsonaro

Jeverson
23 de julho de 2026 às 14:16
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STF autoriza investigação sobre repasses de R$ 61 milhões para filme sobre Bolsonaro

“Dark Horse” retrata a trajetória de Jair Bolsonaro, interpretado pelo ator norte-americano Jim Caviezel. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil | Reprodução

Inquérito conduzido pela Polícia Federal vai apurar se recursos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro foram integralmente aplicados na produção de “Dark Horse” ou destinados a outras finalidades nos Estados Unidos

 

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito para investigar a origem e o destino de recursos enviados ao exterior com a finalidade declarada de financiar o filme Dark Horse, produção que aborda a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A apuração será conduzida pela Polícia Federal e deverá examinar repasses estimados em R$ 61 milhões, atribuídos a empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Os investigadores pretendem esclarecer se o dinheiro foi efetivamente empregado na realização do longa-metragem ou se parte dos valores acabou direcionada a outras despesas e iniciativas.

A autorização foi concedida após pedido da Polícia Federal e manifestação favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Na avaliação da Procuradoria-Geral da República (PGR), os elementos reunidos até o momento justificam a instauração de uma investigação formal.

Mensagens colocam repasses sob investigação

O caso ganhou projeção após o site The Intercept Brasil divulgar mensagens nas quais o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, teria solicitado recursos a Daniel Vorcaro para viabilizar a produção cinematográfica.

Documentos, mensagens e planilhas apreendidos indicariam que empresas vinculadas ao banqueiro realizaram pagamentos para um fundo constituído nos Estados Unidos com o objetivo declarado de financiar o filme. Segundo a investigação, os repasses teriam sido feitos pela Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, para uma estrutura financeira sediada no Texas e administrada por pessoas próximas a Eduardo Bolsonaro.

A principal dúvida dos investigadores é se os R$ 61 milhões permaneceram vinculados ao projeto audiovisual ou se parte do montante foi empregada em finalidades distintas das oficialmente apresentadas.

PF apura possível custeio de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos

Uma das hipóteses examinadas pela Polícia Federal é a de que parcela dos recursos possa ter sido utilizada para cobrir despesas de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que deixou o Brasil e passou a viver nos Estados Unidos em fevereiro de 2025.

Os investigadores também buscam verificar se o dinheiro foi empregado no financiamento de ações conduzidas por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao governo do presidente norte-americano Donald Trump.

Eduardo Bolsonaro afirma que se mudou para os Estados Unidos por considerar-se alvo de perseguição do ministro Alexandre de Moraes. Ele nega irregularidades e declarou publicamente que teve contas bancárias bloqueadas, inclusive as pertencentes à esposa.

Flávio Bolsonaro nega repasse de recursos ao irmão

Após a divulgação das informações sobre o financiamento de Dark Horse, Flávio Bolsonaro rejeitou a hipótese de que o dinheiro tenha sido destinado a Eduardo Bolsonaro.

Em nota, o senador classificou como “falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro” e afirmou que “os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos”.

A investigação deverá confrontar essa versão com registros financeiros, contratos, mensagens e demais documentos relacionados às transferências.

Emendas parlamentares também entram no foco da apuração

Além dos aportes privados atribuídos a empresas ligadas a Daniel Vorcaro, a Polícia Federal investiga uma segunda possível fonte de financiamento do filme.

A suspeita é de que recursos públicos originados de emendas parlamentares possam ter sido desviados por meio de contratos e repasses destinados à produtora responsável pela obra cinematográfica.

Essa frente de investigação tramitava inicialmente sob a relatoria do ministro Flávio Dino. Posteriormente, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, determinou a redistribuição do caso para André Mendonça, após reconhecer conexão entre os fatos investigados.

Com a abertura do inquérito, a Polícia Federal deverá aprofundar a análise do fluxo financeiro, identificar os beneficiários finais dos repasses e verificar se houve desvio de finalidade, uso irregular de recursos públicos ou financiamento indireto de atividades políticas no exterior.

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