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Sudão rompe relações diplomáticas com Etiópia após bombardeios em Cartum

Redação
5 de maio de 2026 às 14:20
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Sudão rompe relações diplomáticas com Etiópia após bombardeios em Cartum
Divulgação / ClickNews

O governo do Sudão anunciou, nesta terça-feira (12), a imediata retirada de seu embaixador em Adis Abeba, capital etíope, em resposta a uma série de ataques aéreos que atingiram o Aeroporto Internacional de Cartum. A decisão, formalizada por meio de nota oficial do Ministério das Relações Exteriores sudanês, representa um agravamento das tensões bilaterais entre os dois países, já marcadas por disputas territoriais e rivalidades históricas.

Autoridades sudanesas atribuíram diretamente à Etiópia a responsabilidade pelos bombardeios, que teriam como alvo instalações estratégicas na capital sudanesa. Segundo fontes militares não identificadas, os ataques resultaram em danos significativos à infraestrutura aeroportuária e deixaram ao menos três civis feridos. O Ministério da Defesa do Sudão classificou o episódio como uma “violação flagrante da soberania nacional” e anunciou a adoção de “medidas retaliatórias imediatas”.

Crise diplomática ameaça estabilidade regional

A escalada do conflito entre Sudão e Etiópia ocorre em um contexto de crescente instabilidade na região do Chifre da África, onde tensões étnicas e disputas por recursos naturais já haviam gerado conflitos armados internos. Especialistas em geopolítica, como o pesquisador Alan Boswell, do International Crisis Group, alertam que a deterioração das relações entre os dois países pode agravar ainda mais os desafios internos de ambos os governos, incluindo crises humanitárias e pressões econômicas.

Analistas internacionais destacam que a região do Grande Nil, onde se localiza a fronteira entre Sudão e Etiópia, é uma das áreas mais voláteis do continente africano. A disputa pela barragem de Grand Ethiopian Renaissance Dam (GERD), que afeta o fluxo das águas do Nilo, tem sido um ponto de atrito constante entre os dois países nos últimos anos. A ofensiva militar recente, no entanto, eleva o nível de hostilidade a um patamar inédito desde o fim da guerra entre os dois países, em 2000.

Comunidade internacional cobra moderação

A Organização das Nações Unidas (ONU) e a União Africana (UA) emitiram comunicados expressando “profunda preocupação” com a escalada militar e pedindo o cessar-fogo imediato. O secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou uma reunião emergencial do Conselho de Segurança para discutir o tema, enquanto a UA anunciou a formação de uma comissão de mediação composta por líderes regionais.

Enquanto isso, a população civil de Cartum enfrenta um cenário de incerteza, com relatos de pânico nas ruas e fechamento de estabelecimentos comerciais. Autoridades locais informaram que forças de segurança foram mobilizadas para reforçar a segurança em áreas estratégicas da cidade, embora não tenham divulgado detalhes sobre possíveis novos ataques. A comunidade internacional aguarda, agora, as próximas medidas do governo etíope, que até o momento não se pronunciou oficialmente sobre as acusações.

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