Levantamento do Inca aponta avanço expressivo do risco a partir dos 45 anos e mostra diferenças entre homens e mulheres; procura por tratamento para abandonar o cigarro também cresce no SUS
O consumo de cigarros permanece entre os principais fatores associados ao câncer de pulmão e pode elevar em até 30 vezes o risco de morte pela doença quando fumantes são comparados a pessoas que nunca fumaram. O alerta consta de levantamento do Instituto Nacional de Câncer (Inca) sobre a relação entre tabagismo e mortalidade.
A análise indica que a ameaça se torna significativamente maior a partir dos 45 anos, reflexo, sobretudo, do tempo acumulado de exposição às substâncias tóxicas presentes no cigarro. Os dados também apontam diferenças entre os sexos, com indicadores mais elevados entre os homens em determinadas faixas etárias.
Exposição prolongada amplia ameaça à saúde
O tabagismo está relacionado a cerca de 80% dos casos de câncer de pulmão. A fumaça do cigarro reúne milhares de componentes químicos, incluindo substâncias capazes de provocar alterações celulares e favorecer o surgimento de tumores malignos.
O risco tende a aumentar conforme se prolongam o tempo de consumo e a quantidade de cigarros fumados. Ao longo dos anos, os danos acumulados no tecido pulmonar podem resultar em alterações irreversíveis e elevar consideravelmente a possibilidade de desenvolvimento da doença.
O câncer de pulmão também preocupa pela elevada letalidade, especialmente porque muitos casos são identificados apenas em estágios mais avançados, quando as alternativas terapêuticas podem ser mais restritas.
Risco cresce de forma mais acentuada após os 45 anos
O levantamento do Inca reforça que a idade é um dos elementos determinantes na avaliação do impacto do tabagismo. A partir dos 45 anos, a probabilidade de morte por câncer de pulmão entre fumantes apresenta crescimento expressivo em relação à população que não mantém o hábito.
A diferença está associada principalmente à exposição continuada aos agentes cancerígenos presentes no tabaco. Quanto maior o período de consumo, maior tende a ser o risco acumulado.
Os indicadores também mostram variações entre homens e mulheres, relacionadas, entre outros fatores, a padrões históricos de consumo do cigarro e ao tempo de exposição ao tabaco ao longo da vida.
Procura por tratamento para abandonar cigarro avança no SUS
Em paralelo aos dados sobre os riscos do tabagismo, o Ministério da Saúde registra crescimento significativo na procura por programas destinados a quem deseja parar de fumar.
Nos últimos dez anos, a busca por atendimento voltado à cessação do tabagismo no Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou cerca de sete vezes.
A rede pública disponibiliza acompanhamento profissional e, quando indicado, medicamentos para auxiliar no processo de abandono do cigarro. A estratégia busca reduzir a dependência da nicotina e, consequentemente, a incidência de doenças relacionadas ao consumo de tabaco.
Abandonar o cigarro reduz riscos ao longo do tempo
A interrupção do tabagismo produz benefícios em qualquer fase da vida. Com o passar do tempo após o último cigarro, o organismo passa por uma série de mudanças que contribuem para diminuir o risco de doenças cardiovasculares, respiratórias e de diferentes tipos de câncer.
Especialistas ressaltam que, embora os efeitos da exposição prolongada ao tabaco possam permanecer por anos, deixar de fumar reduz progressivamente as probabilidades de complicações graves e representa uma das principais medidas individuais de prevenção ao câncer de pulmão.




