A semana que se inicia será marcada por uma agenda intensa nos Três Poderes, com temas que vão desde a definição de direitos trabalhistas até apurações de irregularidades em instituições financeiras e decisões estratégicas para a economia nacional.
PEC da 6×1: Relator entrega relatório final com jornadas de 40 horas e flexibilização por acordos coletivos
Na quarta-feira (20.mai), o relator da PEC da 6×1, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), apresentará seu relatório final ao plenário da Câmara. O texto, que fixa a jornada de trabalho em 40 horas semanais e garante duas folgas remuneradas por semana, abre espaço para que acordos coletivos se sobreponham à legislação, desde que não reduzam direitos. As normas específicas por setor serão regulamentadas por projetos de lei complementar (PLP), cujos debates devem intensificar-se após a entrega do relatório.
A proposta, que tramita desde 2023, divide opiniões: enquanto centrais sindicais pressionam por sua aprovação integral, setores empresariais alertam para riscos de aumento de custos e desemprego em segmentos menos estruturados. A expectativa é que o texto seja votado ainda em maio, com potencial de impactar diretamente mais de 40 milhões de trabalhadores formais no país.
Senado convoca Galípolo para explicar irregularidades no Banco Master em momento de alta tensão política
Na terça-feira (19.mai), a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal ouvirá o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre as irregularidades envolvendo o Banco Master. O depoimento ocorre em um contexto de crescente pressão política, após Galípolo não ter comparecido à audiência anterior, em 4 de maio, alegando indisposição de saúde. Agora, com o recrudescimento das acusações e cobranças de transparência, a expectativa é de um embate mais duro.
As irregularidades incluem suspeitas de lavagem de dinheiro e operações atípicas que teriam ocorrido durante a gestão anterior do BC. A audiência será transmitida ao vivo e pode influenciar futuras decisões regulatórias, além de gerar reflexos no mercado financeiro, que já monitora de perto os desdobramentos.
Câmara investiga prisão de ex-deputado nos EUA enquanto Lula anuncia R$ 37 bilhões para São Paulo
Também na quarta-feira (20.mai), a Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Câmara dos Deputados ouvirá o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sobre a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos. O caso, que envolve acusações de corrupção e tráfico de influência, ganha contornos diplomáticos, já que Ramagem foi uma figura central em operações controversas durante o governo anterior.
Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcará em São Paulo na segunda-feira (18.mai) para dois dias de eventos oficiais. Na terça-feira (19.mai), lançará um programa voltado a motoristas de aplicativos e taxistas, com foco em inclusão social e formalização. No mesmo dia, participará de reunião do comitê de prevenção ao feminicídio.
Na quarta-feira (20.mai), Lula visitará a Replan (Refinaria Planalto de Paulínia), onde anunciará R$ 37 bilhões em investimentos da Petrobras para o Estado até 2030. A iniciativa, segundo dados oficiais, deve gerar 38 mil empregos diretos e indiretos, além de fortalecer a cadeia produtiva do setor de combustíveis.
TCU ganha seu primeiro ministro petista em posse histórica
Na quarta-feira (20.mai), Odair Cunha tomará posse como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), tornando-se o primeiro representante do PT na Corte. Sua indicação decorreu de um acordo político firmado em 2025 entre o PT e o presidente do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB), em troca de apoio a pautas estratégicas do governo. A posse ocorre em um momento de alta tensão entre os poderes, com críticas recorrentes à atuação do TCU em ações de controle de gastos públicos.
A entrada de Cunha na Corte levanta debates sobre possíveis mudanças na condução de fiscalizações, especialmente em áreas sensíveis como saúde, educação e infraestrutura, onde o governo tem ampliado investimentos.
STF retoma julgamento sobre redução da área do Parque Indígena do Xingu
O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) retoma na quarta-feira (20.mai) o julgamento de uma ação do Psol contra a lei que reduziu a área do Parque Indígena do Xingu. A decisão, que pode reverter ou manter a redução, tem desdobramentos ambientais e indígenas, além de impactar diretamente comunidades que dependem da proteção da região. O caso, que tramita há anos, ganha relevância em meio ao debate sobre demarcação de terras e direitos territoriais.
Setor elétrico discute reajuste de risco que pode aliviar ou agravar a inflação
No mesmo dia, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico avaliará a recalibragem do nível de aversão ao risco para o setor. A decisão poderá aliviar as bandeiras tarifárias, reduzindo a inflação a partir de 2027, ou, inversamente, elevar os custos da energia, onerando consumidores e empresas. O setor, que já enfrentou crises recentes, como o racionamento de 2024, teme novos impactos em um cenário de alta demanda e incertezas climáticas.




