A ilha de Kharg, principal infraestrutura de exportação de petróleo do Irã, foi alvo de uma publicação do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, neste domingo (30), que compartilhou em sua plataforma *Truth Social* um vídeo gerado por inteligência artificial retratando supostos danos ao complexo energético iraniano.
No texto que acompanhava a publicação, Trump afirmou, sem fornecer detalhes adicionais, que “a ilha de Kharg está sendo reduzida a escombros”, utilizando a alcunha *DJT* para se referir a si mesmo. Contudo, não houve qualquer evidência independente que confirmasse a veracidade das alegações, nem resposta imediata de autoridades americanas, como a Casa Branca ou o Departamento de Defesa dos EUA, aos questionamentos acerca do episódio.
O que aconteceu com a ilha de Kharg
Análises técnicas preliminares, conforme reportado por veículos especializados, indicam que o vídeo em questão apresenta características compatíveis com manipulação por inteligência artificial, incluindo explosões de grande impacto que não correspondem a registros públicos ou imagens verificáveis do local. Especialistas em detecção de *deepfakes* destacam que tais conteúdos são cada vez mais frequentes em plataformas digitais, especialmente em contextos geopolíticos sensíveis.
A ilha de Kharg, apesar de sua extensão modesta — cerca de 8 km de comprimento e localizada a 24 km da costa iraniana —, desempenha papel estratégico na economia do Irã. Segundo dados oficiais, 90% do petróleo bruto exportado pelo país transita por suas instalações, o que confere ao local importância crítica para o setor energético persa.
Em resposta à publicação de Trump, o governo iraniano classificou as alegações como “risíveis” e não demonstrou sinais de preocupação com possíveis repercussões. O episódio reacende debates sobre a disseminação de desinformação em tempos de polarização política, especialmente quando conteúdos gerados por IA são utilizados para influenciar percepções internacionais.




