Hipótese de violência estrutural: homens como principais agentes e vítimas de mortes violentas
Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança, divulgado na última quarta-feira (22/07), mapeou 40.775 mortes violentas intencionais ocorridas em 2025 no Brasil. Desse total, 37 mil vítimas — ou 90,8% — eram do sexo masculino. A disparidade se mantém quando analisada a autoria dos crimes: homens responderam por 91,1% das mortes violentas contra vítimas masculinas, enquanto mulheres figuraram como autoras exclusivas em apenas 4,8% dos registros. Nos casos de autoria múltipla, a participação feminina representou outros 4%.
Feminicídios: padrão de agressão reflete dinâmica de gênero
Quando o recorte foca nos feminicídios — mortes violentas de mulheres motivadas por questões de gênero —, a predominância masculina se mantém: 96,4% dos autores identificados eram homens. Mulheres foram responsáveis por 2,1% dos casos, enquanto casos com participação múltipla de agressores atingiram 1,5%. Os dados sugerem que a violência letal contra mulheres, embora menos numerosa em termos absolutos, mantém uma relação direta com padrões culturais de dominação e controle, conforme destacado pelo Fórum.
Implicações sociais: desigualdade de gênero na violência letal
A disparidade entre homens e mulheres tanto na condição de vítimas quanto de autores de mortes violentas reforça a hipótese de que a violência no Brasil está fortemente associada a estruturas de gênero. Enquanto os homens são majoritariamente vítimas de violência intermasculina — muitas vezes vinculada a disputas territoriais, tráfico de drogas ou vinganças —, as mulheres são majoritariamente vítimas de agressores do sexo oposto em contextos de relações íntimas ou familiares. A baixa representatividade feminina no polo ativo dos crimes sugere barreiras estruturais que limitam a participação de mulheres em atos violentos, seja por fatores culturais, socioeconômicos ou de vulnerabilidade diferenciada.




