Intimações sob juramento ameaçam liberdade de imprensa nos EUA
Em um movimento que reacende debates sobre a liberdade de imprensa nos Estados Unidos, repórteres do The New York Times foram alvo de intimações federais após publicarem reportagens sobre supostas vulnerabilidades de segurança no novo Air Force One do presidente Donald Trump. No sábado, 11 de julho de 2026, às 17:58 (Horário de Brasília), agentes federais entregaram as intimações diretamente em residências de jornalistas, exigindo que comparecessem perante um grande júri federal para testemunhar sobre um suposto crime.
Investigação federal foca em vazamentos, não em jornalistas
O Departamento de Justiça dos EUA, em comunicado ao BBC, afirmou que investiga vazamentos ilegais de informações classificadas, esclarecendo que “os repórteres não são alvos, mas sim aqueles que vazaram dados sigilosos”. No entanto, o Times classificou as intimações como um “ato de ousadia” e uma tentativa de “impedir que o público saiba o que ocorre no país”, segundo David McCraw, advogado-chefe da redação do jornal.
Contexto: Segurança do Air Force One e tensões diplomáticas
As reportagens do Times alegavam que o jato presidencial — um presente do Catar — não atendia aos padrões mínimos de segurança exigidos pela equipe do Serviço Secreto. Segundo a publicação, o órgão teria recomendado a Trump que utilizasse outra aeronave durante sua viagem de retorno de uma cúpula da OTAN na Turquia. A investigação federal, iniciada após essas matérias, busca apurar se houve violação de leis criminais federais relacionadas ao vazamento de informações.
Implicações para o jornalismo e a democracia
A estratégia de intimidação judicial contra profissionais da imprensa levanta questões sobre os limites do poder estatal em relação à liberdade de expressão. McCraw enfatizou que as intimações enviadas não especificam quaisquer alegações criminais contra os repórteres, mas sim uma convocação genérica para depor sobre “supostas violações de leis federais”. O episódio ocorre em um contexto de crescente polarização política nos EUA, onde a relação entre a mídia e o governo tem sido marcada por conflitos recorrentes.




