Reação à decisão americana e acusações de manipulação
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSDB-SP) utilizou o palco político de Brasília na tarde desta sexta-feira, 29 de maio de 2026, para acusar integrantes do clã Bolsonaro de promoverem uma cortina de fumaça em torno da decisão dos Estados Unidos de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras. Segundo Alckmin, a manobra teria como objetivo desviar o foco das denúncias que envolvem diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no caso Banco Master, considerado pelo vice-presidente o “maior escândalo de corrupção e sonegação fiscal do País”.
A crítica de Alckmin ganha contornos mais graves ao ser proferida três dias após a classificação oficial do PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA — medida que entrará em vigor em 5 de junho. O Departamento de Estado americano anunciou a decisão na quinta-feira, 28 de maio, em um movimento que, segundo o vice-presidente, foi aproveitado pela família Bolsonaro para criar um novo ciclo de discussões na mídia.
Flávio Bolsonaro, que já havia se autointitulado como um dos articuladores da decisão junto ao governo dos EUA, foi o alvo indireto das acusações de Alckmin. “Infelizmente, membros do clã Bolsonaro pensam mais em si mesmos do que no País“, afirmou o vice-presidente, reforçando que o foco deveria estar nas irregularidades do Banco Master, cujas investigações já sinalizam para um rombo superior a R$ 2 bilhões em sonegação fiscal e desvios de recursos públicos.
Banco Master: o pano de fundo da polêmica
O caso Banco Master, que já mobiliza a Procuradoria-Geral da República e a Receita Federal, ganhou novos contornos após a citação de Flávio Bolsonaro em depoimentos de delação premiada. Segundo as apurações, o banco teria atuado como uma máquina de lavagem de dinheiro, com supostas ligações com políticos e empresários para ocultar operações irregulares.
Na avaliação de analistas políticos ouvidos pela ClickNews, a estratégia do clã Bolsonaro de vincular a decisão americana ao nome de Flávio Bolsonaro pode ter um efeito contrário ao pretendido. “Ao tentar transformar um tema sensível para o País em um debate partidário, eles acabam reforçando a narrativa de que o caso Master é mesmo grave e precisa ser investigado“, afirmou a cientista política Maria Fernanda Santos, da Universidade de São Paulo.
O episódio evidencia, segundo especialistas, um jogo de espelhos na política brasileira, onde temas de segurança pública e corrupção são constantemente instrumentalizados em meio a eleições e crises institucionais.




