Credibilidade em queda: política perde espaço para instituições de base
O Índice de Confiança Social (ICS) 2026, medido pelo Ipsos-Ipec em 2 mil entrevistas distribuídas por 130 municípios brasileiros, revela uma hierarquia clara de credibilidade entre as instituições nacionais. Enquanto estruturas vinculadas à proteção, educação e coesão social registram pontuações superiores a 60, as esferas político-institucionais enfrentam um cenário de desconfiança generalizada, com partidos políticos (30 pontos) e o Congresso Nacional (34 pontos) ocupando as últimas posições do ranking.
Bombeiros consolidam hegemonia, mas desafios persistem
Pelo 17º ano consecutivo, o Corpo de Bombeiros mantém-se como a instituição mais confiável do país, com 86 pontos no ICS. Em seguida, destacam-se as escolas públicas (68), a Polícia Federal (66) e as igrejas (64). A média nacional de confiança nas instituições, contudo, permanece tímida: 54 pontos, abaixo dos 55 do índice geral — que inclui também a confiança interpessoal (63 pontos).
Sociedade civil e mídia: credibilidade em ascensão ou declínio?
O levantamento aponta que organizações da sociedade civil e empresas registram 57 e 59 pontos, respectivamente, enquanto a imprensa — tradicionalmente sob escrutínio — não teve seu índice detalhado no recorte disponível. A disparidade entre confiança em instituições de base e desconfiança nas estruturas políticas evidencia um vácuo de legitimidade que pode impactar políticas públicas futuras.
Cenário de 2026: entre a esperança institucional e a crise de representação
A pontuação geral de 55 pontos no ICS 2026 reflete não apenas a confiança nas instituições, mas também um sinal de alerta para a classe política. Com partidos e Congresso abaixo de 35 pontos, a sociedade brasileira parece priorizar instituições com atuação direta e tangível — como educação e segurança — em detrimento de estruturas abstratas de representação. A tendência, se mantida, pode redefinir prioridades na agenda governamental nos próximos ciclos eleitorais.




