Profissionalização do crime desafia queda nos homicídios
Os números oficiais revelam uma redução consistente nos assassinatos no Brasil desde 2021, mas a dinâmica do crime organizado desmente a narrativa de segurança. Com a atuação cada vez mais estruturada de narcotraficantes, milícias e quadrilhas especializadas — que substituem a violência direta por estratégias de controle territorial e econômico —, a sensação de insegurança persiste, segundo o sociólogo Daniel Hirata, assessor especial do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A brutalidade policial como acelerador do crime
Hirata adverte que a associação entre violência institucional e crescimento das organizações criminosas não pode ser tratada como ‘dano colateral’. Em muitos casos, a repressão mal planejada e a corrupção nas forças de segurança alimentam o ciclo de expansão das facções, que se beneficiam de brechas operacionais para recrutar novos membros e consolidar territórios. Para o especialista, a abordagem repressiva, sem contrapartidas socioeconômicas, apenas realoca o problema para novas formas de criminalidade — menos visíveis nos índices de homicídios, mas igualmente deletérias.
Roubos de celulares e crimes patrimoniais: o novo ‘negócio’ das facções
O foco das organizações criminosas migrou dos assassinatos — agora menos rentáveis e mais expostos a fiscalização — para delitos de menor impacto estatístico, como roubos de aparelhos eletrônicos e sequestros-relâmpago. Essa reconfiguração permite que facções mantenham fluxos de caixa milionários sem aumentar as estatísticas de violência letal. Hirata destaca que a ‘profissionalização’ do crime organizado transformou a criminalidade em um empreendimento de baixo risco relativo, com margens de lucro superiores às de atividades legais em territórios dominados.




