Fenômeno climático deve influenciar área plantada, produtividade e calendário agrícola da próxima temporada
El Niño como variável decisiva
O plantio de arroz da próxima safra ainda está no horizonte, mas produtores e agentes do mercado financeiro já direcionam suas atenções para o que pode ocorrer em 2026/27. Nesse cenário, “o comportamento do El Niño permanece como a principal variável para definição da área cultivada, da produtividade e do calendário agrícola”, enumera o analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
Segundo ele, “as estimativas continuam apontando para uma produção brasileira próxima, ou até mesmo inferior, a 10 milhões de toneladas em base casca, resultado da combinação entre provável redução de área e expectativa de menor produtividade”. A influência do fenômeno climático torna-se, portanto, um elemento central na tomada de decisão dos produtores, que precisam conciliar rentabilidade, risco e disponibilidade de crédito.
Produção sob impacto da incerteza climática
Apesar das projeções iniciais, o quadro ainda depende da evolução das condições meteorológicas ao longo dos próximos meses. “O ambiente de incerteza continua influenciando diretamente as decisões de investimento”, frisa o analista, destacando que a instabilidade climática se soma a fatores econômicos, como custo de financiamento e comportamento do câmbio.
Diante desse contexto, muitos produtores seguem postergando a compra de insumos e a definição final de área, aguardando maior previsibilidade antes de consolidar o planejamento da próxima temporada. “Nesse contexto, cresce a expectativa de atrasos no calendário agrícola em diversas regiões, reforçando a importância do escalonamento do plantio como estratégia para reduzir riscos operacionais”, pondera Oliveira.
Fatores de sustentação do mercado de arroz
Mesmo com o ambiente de cautela, há elementos que vêm sustentando o mercado de arroz. Entre os principais pontos, o analista cita a recuperação gradual das cotações, a perspectiva de menor disponibilidade exportável dos Estados Unidos, o fortalecimento dos fundamentos internacionais e a confirmação de redução da área cultivada no Brasil. Esses fatores, combinados, ajudam a evitar quedas mais acentuadas nos preços e mantêm o produtor atento às oportunidades.
Em sentido contrário, os elevados estoques mundiais seguem exercendo papel moderador sobre a formação das cotações, limitando a probabilidade de movimentos abruptos de valorização. Esse colchão de oferta global impede que o mercado internacional reaja de forma explosiva mesmo diante de potenciais quebras regionais, como a que pode ocorrer no Brasil em função do El Niño.
Comportamento recente dos preços no Rio Grande do Sul
Na semana passada, a média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) foi de R$ 62,83, o que representa alta de 3,38% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço chegou a 8,27%, enquanto, em relação a 2025, a desvalorização acumulada é de 6,36%. Esses números refletem a combinação de retomada gradual das cotações internas com um histórico de preços mais elevados no ano anterior.
“No mercado físico, o Indicador Safras ultrapassou o patamar de R$ 63 por saca, reforçando o movimento de fortalecimento observado desde o encerramento da colheita”, destaca o analista. A trajetória recente indica um ambiente de preço mais firme, embora ainda distante dos patamares registrados em 2025, o que mantém o debate entre necessidade de remuneração adequada ao produtor e acessibilidade do alimento ao consumidor.




