Ajuste positivo no 10º levantamento do ciclo reflete ampliação da área de cultivo e estabilidade climática no cinturão agrícola
Ajuste de projeções macroeconômicas e estabilidade de produtividade
As projeções oficiais para o desempenho do agronegócio brasileiro indicam um novo recorde para a atividade de cultivo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou suas estimativas para a safra de grãos correspondente ao ciclo 2025/26. No relatório divulgado nesta terça-feira (14), que configura o 10º levantamento sistemático do atual período produtivo, a empresa pública federal projeta um volume acumulado de 360,1 milhões de toneladas de grãos. O montante representa uma elevação de 0,4% frente aos indicadores de intenção de colheita publicados no balanço do mês de junho.
Caso se confirmem os dados estatísticos apontados pelo órgão, o volume de 360,1 milhões de toneladas significará um incremento real de 2,2% na comparação direta com o encerramento da temporada anterior. Na prática, a variação positiva representa a incorporação de 7,8 milhões de toneladas adicionais ao fluxo de abastecimento global.
De acordo com a análise técnica desenvolvida pela estatal, o cenário de otimismo decorre majoritariamente da incorporação de novas glebas à área total cultivada, uma vez que a taxa média de rendimento das lavouras nacionais tende a registrar estabilização, estabelecendo-se no patamar de 4.311 quilos por hectare colhido.
A coordenação de monitoramento agrícola salientou a influência benéfica do regime de precipitações e dos índices de hidratação do solo sobre o desenvolvimento biológico das plantas. De acordo com o gerente de Acompanhamento de Safras da companhia, Fabiano Vasconcellos, o comportamento do clima tem sido um fator de sustentação para os produtores.
“Para julho, a previsão é de manutenção destas condições. Nada fora do normal para esta época do ano, com uma diminuição das chuvas no período, principalmente na região central do país.”
Desempenho das principais commodities agrícolas e culturas de inverno
No segmento das oleaginosas, a soja — cuja colheita dos campos de cultivo encontra-se totalmente concluída — registrou uma produção de 180,6 milhões de toneladas. A cifra equivale precisamente à metade de toda a produção nacional de grãos projetada para a presente safra. O resultado operacional aponta para uma expansão de 5,3% frente ao desempenho do ciclo precedente, impulsionado pela ampliação de 2,7% na extensão territorial de semeadura, pela consolidação de pacotes tecnológicos de alta performance e por condições atmosféricas adequadas.
No tocante ao milho, a estimativa consolidada pela autarquia indica que a colheita totalizará 141,7 milhões de toneladas. A consolidação deste dado representará um ganho marginal de 0,4% sobre os registros da temporada anterior, respondendo por cerca de 40% de toda a cesta nacional de grãos.
Na partilha das etapas de colheita, a primeira safra do cereal, em fase final de recolhimento, deve somar 29,6 milhões de toneladas. A segunda safra, que registra 38,9% de progresso nos trabalhos de campo, projeta 109,43 milhões de toneladas, índice que se posiciona abaixo da média geométrica computada nos últimos cinco anos. Por fim, a terceira etapa de plantio do milho deve registrar uma colheita de 2,7 milhões de toneladas.
Cesta básica de consumo interno e balanço de suprimentos
Os dois principais itens da dieta básica nacional apresentaram comportamentos distintos no presente ciclo de cultivo. Os trabalhos de colheita do arroz foram integralmente encerrados, totalizando uma produção de 11,1 milhões de toneladas. O montante representa um declínio de 13.1% em comparação com a safra anterior, motivado por uma retração na área dedicada ao plantio do cereal.
Na cadeia produtiva do feijão, a produção global estimada situa-se na casa de 3 milhões de toneladas, registrando uma variação negativa de 1,4% frente ao ano agrícola anterior.
O porta-voz da gerência técnica da estatal detalhou os fatores conjunturais que afetaram as lavouras de feijão na fase intermediária do ano.
“Neste ciclo da segunda safra do feijão tivemos algumas adversidades climáticas, principalmente nas últimas semanas de junho. Enquanto na Região Nordeste as chuvas foram mais escassas, nas regiões Sul e Sudeste, as frentes frias trouxeram chuva, reduziram as temperaturas e provocaram até geadas em algumas localidades. Isto acabou impactando alguma lavoura e reduziu o potencial produtivo”, explicou Vasconcelos.
A despeito do encolhimento nas margens de produção do arroz e do feijão, a Conab assegura que as reservas e os volumes a serem internalizados são plenamente suficientes para garantir a segurança alimentar e o regular abastecimento do mercado consumidor doméstico.
No complexo do algodão, projeta-se um rendimento de 4,06 milhões de toneladas de fibra em pluma. Os dados de campo apontam que 8,1% da área plantada já foi colhida, enquanto 78,4% encontra-se em estágio de maturação fisiológica e 13,5% em fase de desenvolvimento das maçãs.
As condições meteorológicas favoráveis impulsionaram o rendimento das plantas, gerando uma elevação de 2,8% na produtividade média em relação à temporada de 2024/25. Esse ganho compensou a redução de 3,2% na área de plantio, consolidada em cerca de 2 milhões de hectares.
A atualização das estimativas de safra da pluma permitiu um reajuste positivo nas metas de transações internacionais, estimando-se que as exportações atinjam 3,38 milhões de toneladas, o que deve gerar um estoque de passagem de 2,67 milhões de toneladas.
Por fim, a cultura do trigo, principal expoente dos cultivos de inverno, caminha para a conclusão do período de semeadura. A expectativa técnica delineada pela Conab é de uma retração acentuada de 23,5% no volume total a ser colhido, com projeção fixada em 6 milhões de toneladas. A redução deve-se tanto à diminuição na área destinada ao cereal quanto às expectativas de menor produtividade média nas lavouras.




