Washington mira rede de câmbio iraniana e promete intensificar isolamento econômico da elite do regime
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira (10) um novo pacote de sanções voltado ao núcleo financeiro do líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei. As restrições também alcançam casas de câmbio clandestinas apontadas pelas autoridades norte-americanas como responsáveis por movimentar bilhões de dólares em benefício de instituições financeiras iranianas já submetidas a sanções internacionais.
De acordo com o Departamento do Tesouro dos EUA, a iniciativa busca ampliar a pressão econômica sobre integrantes da cúpula do regime iraniano, ao mesmo tempo em que pretende preservar recursos que, segundo Washington, pertencem à população do país.
Rede financeira ligada ao líder supremo
Segundo informações divulgadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês), Ali Ansari é apontado como o principal operador financeiro responsável por administrar uma ampla rede internacional de ativos em favor de Mojtaba Khamenei e de outros membros influentes do regime iraniano.
Em comunicado oficial, o Ofac detalhou o papel desempenhado por Ansari na estrutura financeira do governo iraniano.
“Ansari institucionalizou efetivamente o desvio de riqueza em larga escala, financiada publicamente para um extenso portfólio no exterior de imóveis e participações comerciais para enriquecer a si mesmo, as elites do regime — incluindo figuras seniores notáveis dentro do Gabinete do Líder Supremo — e o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC)”, afirmou o Ofac.
Casas de câmbio também entram na lista de sanções
Além do operador financeiro, o governo norte-americano incluiu nas sanções diversas casas de câmbio iranianas consideradas estratégicas para a movimentação de recursos internacionais. Conforme o Departamento do Tesouro, essas instituições realizam operações em nome de bancos já sancionados, utilizando empresas de fachada para mascarar transações financeiras.
Segundo a pasta, o objetivo dessas estruturas seria “esconder a atividade financeira ilícita do regime”, permitindo que recursos circulem fora dos mecanismos tradicionais de fiscalização internacional.
Governo dos EUA promete manter pressão sobre Teerã
Em nota oficial e também em publicação na rede social X, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que Washington continuará utilizando instrumentos econômicos para restringir o acesso da elite iraniana ao sistema financeiro internacional.
“O tão aclamado líder supremo está se escondendo em reclusão enquanto seu regime se desfaz em pedaços. O Tesouro dos EUA continuará a utilizar cada ferramenta ao seu dispor para isolá-lo e outras elites do regime do sistema financeiro global”, escreveu. “Vamos preservar esses ativos para a população iraniana”.
Medidas também respondem a ataques no Estreito de Ormuz
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros informou ainda que a adoção das novas sanções ocorre em resposta aos recentes ataques atribuídos ao Irã contra embarcações que navegavam pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.
Segundo as autoridades norte-americanas, a ampliação das restrições econômicas faz parte da estratégia dos Estados Unidos para aumentar a pressão sobre o governo iraniano e limitar sua capacidade de realizar operações financeiras internacionais.




